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Irã mantém o Estreito de Ormuz fechado a três dias do fim da trégua com EUA
O estratégico Estreito de Ormuz permanece fechado neste domingo (19), como retaliação ao bloqueio dos Estados Unidos aos portos iranianos, a apenas três dias do fim da trégua estabelecida entre os dois países em guerra.
Após mais de um mês de conflito, que deixou milhares de mortos e abalou a economia mundial, o anúncio de sexta-feira sobre a reabertura do corredor marítimo provocou um impulso imediato nos mercados financeiros e provocou uma queda expressiva dos preços do petróleo.
Mas no sábado, poucas horas após a reabertura, o Irã anunciou a retomada do "controle rigoroso" de Ormuz, por onde, antes da guerra, transitavam 20% do fluxo global de hidrocarbonetos.
Pouco depois do anúncio, pelo menos três navios comerciais que tentavam atravessar o estreito foram alvos de disparos.
"Qualquer tentativa de aproximação do Estreito de Ormuz será considerada cooperação com o inimigo e o navio infrator será tomado como alvo", advertiu a Guarda Revolucionária, o exército ideológico do Irã.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificou a ação iraniana como uma tentativa de "chantagear" seu país.
- Negociações diplomáticas -
O endurecimento das posições acontece enquanto continuam os esforços diplomáticos para tentar acabar com a guerra no Oriente Médio, com um acordo maior que o cessar-fogo de duas semanas entre Irã e Estados Unidos que começou em 8 de abril e expira
Uma primeira rodada de diálogos entre Estados Unidos e Irã, em 12 de abril no Paquistão, terminou sem acordo.
Na sexta-feira, Trump disse à AFP que um acordo de paz estava "muito próximo" e afirmou que o Irã havia aceitado entregar seu urânio enriquecido, outro ponto-chave das negociações.
O Irã, no entanto, negou ter aceitado a transferência das reservas de material físsil.
"A parte americana tuita muito, fala muito. Às vezes é confuso, às vezes, como vocês sabem, contraditório", disse o vice-chanceler iraniano, Saed Khatibzadeh.
E, embora o presidente americano tenha voltado a falar no sábado de "conversas muito boas" com o Irã, a versão que chega do lado iraniano é, mais uma vez, muito diferente.
O presidente do Parlamento iraniano, Mohamad Baqer Qalibaf, que representou Teerã no diálogo com Washington no Paquistão, afirmou na noite de sábado que os países "registraram avanços", mas que um acordo final "continua distante".
Enquanto isso, as manobras diplomáticas continuam.
Durante uma viagem ao Irã, o comandante do Exército do Paquistão, mediador entre Washington e Teerã, entregou às autoridades iranianas "novas propostas" americanas, afirmou o Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã.
"A República Islâmica do Irã está analisando as propostas e ainda não respondeu", acrescentou.
- "Linha amarela" no Líbano -
No Líbano, outro front da guerra, o Exército de Israel anunciou no sábado que estabeleceu uma "linha amarela" de demarcação no sul do país.
O Exército israelense continua presente no país vizinho em uma faixa de dez quilômetros de profundidade a partir da fronteira, enquanto aguarda negociações para um acordo entre Líbano e Israel, em estado de guerra desde 1948.
Por ora, um cessar-fogo vigora entre Israel e o movimento pró-iraniano Hezbollah, após um mês e meio de conflito que deixou quase 2.300 mortos e um milhão de deslocados no Líbano.
No entanto, o presidente francês, Emmanuel Macron, anunciou no sábado que um soldado francês morreu e outros três ficaram feridos em um ataque contra capacetes azuis da ONU no Líbano.
Tanto Macron quanto a missão da ONU apontaram o Hezbollah, que negou envolvimento.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, condenou de modo veemente a ação contra a missão de paz.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, advertiu que seu país "ainda não terminou" o trabalho de conseguir o desarmamento do Hezbollah.
Trump endureceu o tom e deixou claro a Israel que, a partir de agora, está "proibido" bombardear o Líbano.
burx-roc/lgo/meb/ahg/fp
L.Torres--PC