Casa Branca barra CNN, MS NOW e Politico apesar de ordem judicial
Casa Branca barra CNN, MS NOW e Politico apesar de ordem judicial / foto: Alex Wroblewski - AFP

Casa Branca barra CNN, MS NOW e Politico apesar de ordem judicial

As emissoras CNN, MS NOW e o site de notícias Politico afirmaram que a Casa Branca impediu, nesta quinta-feira (24), o acesso de seus jornalistas à residência presidencial, apesar de uma decisão judicial que determinava que seu acesso fosse permitido.

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Os três veículos informaram que o Serviço Secreto impediu a entrada de seus jornalistas na primeira hora desta quinta-feira, desafiando, assim, a decisão de um juiz federal, que horas antes tinha determinado que a Casa Branca lhes permitisse acessar suas instalações.

"Esta manhã, jornalistas da CNN, MS NOW e Politico tentaram entrar na Casa Branca e foram barrados", informaram os veículos de imprensa em um documento judicial no qual pediram uma audiência urgente.

Acusando-os de difundir "notícias falsas", Trump anunciou, na sexta-feira passada, que impediria seu acesso à Casa Branca.

O juiz explicou que as credenciais de imprensa dos funcionários dos três veículos deviam ser restituídas "até nova ordem ou até a expiração desta ordem de restrição temporária", que permanecerá vigente por 14 dias.

O magistrado Timothy Kelly explicou em sua sentença que esta proibição "provavelmente violou seus direitos constitucionais ao devido processo".

"A 'regra geral' é que 'as pessoas devem receber uma notificação e ter a oportunidade de serem ouvidas antes que o governo as prive' de um interesse protegido pela Constituição", escreveu Kelly.

Os ataques de Trump a jornalistas não são novidade. Há tempos, o republicano investe contra veículos de mídia que criticam sua gestão e qualifica a imprensa como "inimiga do povo".

Theodore Boutrous, que representou os meios de comunicação perante o tribunal, disse ao juiz que Trump "não disse nada sobre a segurança nacional" em sua postagem na plataforma Truth Social na qual anunciou as proibições.

"A ideia de que os repórteres possam ser castigados pelo governo simplesmente por informar sobre questões de segurança nacional (...) que o governo preferiria que não se informasse é simplesmente contrária aos princípios da Primeira Emenda", acrescentou.

CNN, MS NOW e Politico apresentaram uma ação conjunta pedindo uma ordem de restrição temporária contra a proibição, ao argumentar que a medida viola a Primeira Emenda da Constituição americana, que defende o direito à liberdade de imprensa.

Antes da sentença, o Departamento de Justiça tinha argumentado que Trump pode "controlar o acesso dos jornalistas a áreas presidenciais restritas, como o Salão Oval".

"O acesso à Casa Branca é um privilégio, não um direito", sustentou.

- "Segurança nacional" -

Em carta endereçada à CNN, o gabinete de imprensa da Casa Branca acusou o canal de notícias de "traficar falsidades verificáveis sobre segurança nacional e outros temas, e publicar informação sensível ou sigilosa".

Acusações similares foram feitas conta a MS NOW e o site Politico.

A carta à CNN mencionou vários artigos sobre a guerra no Irã e outro sobre os planos de Trump de construir um búnquer militar debaixo do projetado salão de baile da Ala Leste da Casa Branca, que supostamente "revelava detalhes de construção 'ultrassecretos'".

O juiz Kelly afirmou que os artigos mencionados na cartas enviadas aos três veículos eram "rotineiros".

"O tribunal se mostra cético, pelo menos com os elementos apresentados até agora, de que o interesse dos demandados em preservar a segurança nacional seja a verdadeira motivação para revogar as credenciais permanentes dos demandantes ou sequer que seja favorecido por esta medida", destacou o magistrado, em alusão às credenciais de imprensa da Casa Branca.

- Trump TV -

Em uma reação de solidariedade, as emissoras CBS, ABC, NBC e Fox anunciaram, na segunda-feira, que parariam de cobrir por turnos as atividades públicas do presidente, como faziam junto com a CNN.

A Associação de Correspondentes da Casa Branca e quase 50 veículos de comunicação também apresentaram um texto ao tribunal pedindo a revogação das proibições impostas a CNN, MS NOW e Politico.

Na noite de segunda-feira, a Casa Branca lançou um canal de streaming chamado "Trump TV", que segundo afirmou, mostrará "os melhores vídeos, discursos importantes e momentos de destaque imperdíveis, transmitidos 24 horas por dia e atualizados em tempo real".

No passado protagonista de 'reality show', Trump é um crítico feroz da mídia, à qual acusa de apresentar uma imagem negativa de seu mandato.

Em um caso anterior relacionado à CNN durante o primeiro mandato de Trump, o juiz Kelly ordenou que a Casa Branca restabelecesse temporariamente o acesso a um correspondente da emissora, cuja credencial tinha sido revogada.

J.V.Jacinto--PC