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Trump estende trégua indefinidamente, diante de um Irã desafiador
A poucas horas do fim da contagem regressiva, o presidente Donald Trump prorrogou indefinidamente, nesta terça-feira (21), a trégua com o Irã, para dar mais tempo para as negociações de paz, enquanto Teerã, em tom desafiador, proferiu mais ameaças contra seus vizinhos do Golfo.
O mandatário republicano atribuiu sua decisão a um pedido do mediador Paquistão, e destacou a necessidade de permitir ao "fraturado" governo iraniano que elabore uma proposta para pôr fim ao conflito. Contudo, afirmou que o bloqueio dos portos iranianos vai continuar.
Trump havia assinalado anteriormente que não estenderia o cessar-fogo de duas semanas e alertado para a retomada dos bombardeios quando o prazo expirasse.
"Ordenei às nossas Forças Armadas que continuem com o bloqueio e, em todos os demais aspectos, permaneçam prontas e preparadas, e portanto prolongarei o cessar-fogo até que o Irã apresente uma proposta e as conversas sejam concluídas, de uma forma ou de outra", escreveu o presidente americano em sua rede, Truth Social.
Antes da intervenção de última hora de Trump, não estava claro exatamente quando expiraria a suspensão das hostilidades original, embora o Paquistão tivesse indicado que terminaria às 23h50 GMT desta terça (20h50 em Brasília).
Esse instante passou sem que fossem reportadas novas atividades militares por parte do Irã, que considerava que o cessar-fogo finalizaria à meia-noite no horário GMT (21h em Brasília), e não fez nenhum comentário público imediato em resposta ao anúncio de Trump.
O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, em seu papel de interlocutor, deu boas-vindas à prorrogação.
"Sinceramente, espero que ambas as partes continuem respeitando o cessar-fogo e possam concluir um 'Acordo de Paz' integral em uma segunda rodada de diálogo programada em Islamabad para o fim permanente do conflito", escreveu na rede social X.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, elogiou o anúncio e o considerou um "avanço importante para a desescalada", segundo um comunicado de seu porta-voz.
- 'Dizer adeus ao petróleo' -
O vice-presidente americano J.D. Vance, que deveria voltar a liderar a delegação americana nas negociações entre as partes, por fim não partiu hoje para o Paquistão, onde estava previsto um novo encontro, confirmou a Casa Branca. Nesse momento, o Irã se recusava a enviar uma delegação a Islamabad.
Antes do anúncio de Trump, Teerã havia inclusive ameaçado retomar os ataques contra os países do Golfo e colocar em perigo o abastecimento mundial de petróleo.
"Nossos vizinhos do sul devem saber que, se sua geografia e suas instalações são utilizadas a serviço dos inimigos para atacar a nação iraniana, deverão dizer adeus à produção de petróleo no Oriente Médio", advertiu o Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica (IRGC, na sigla em inglês), o exército ideológico do Irã.
Antes dessas ameaças, os preços do petróleo, pressionados pela tensão em torno do bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde transitava um quinto da produção mundial de hidrocarbonetos antes da guerra, já tinham voltado a subir 3%.
O Irã sabe como "resistir às intimidações", comentou o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, ao denunciar o bloqueio americano dos portos do país como "um ato de guerra e, portanto, uma violação do cessar-fogo".
- 'Libertar' as mulheres iranianas -
Antes de anunciar a extensão da trégua, Trump pediu a Teerã que "libertasse" várias mulheres que, segundo ele, estariam ameaçadas de execução. Seria um "começo muito bom para as negociações", declarou.
A AFP não pôde confirmar essas ameaças de execução nem a identidade das mulheres cujas fotografias foram divulgadas pelo presidente americano para respaldar o seu pedido. O Irã negou qualquer execução desse tipo.
Em Teerã, onde os principais aeroportos reabriram na segunda-feira após muitas semanas fechados, a vida voltou à normalidade.
Alguns moradores da capital, contactados pela AFP a partir de Paris, têm aproveitado o cessar-fogo para fazer uma pausa, mas com o temor de que a guerra retorne em breve.
"Saí sem estresse, fui caminhar, fui a cafeterias e restaurantes", contou Mobina Rasoulian, uma estudante de 19 anos que passeia pela capital iraniana.
- Frágil trégua no Líbano -
Na outra frente de guerra, acontecerão na quinta-feira, em Washington, novas negociações diretas entre Israel e Líbano, segundo a diplomacia americana. Assim como as primeiras, ocorridas em 14 de abril, serão realizadas a nível de embaixadores.
Na sexta-feira, um frágil cessar-fogo de dez dias entrou em vigor entre Israel e Hezbollah, o movimento islamista apoiado pelo Irã, que ambas as partes se acusaram mutuamente de violações.
Em um comunicado, o Hezbollah disse que atuou "em defesa do Líbano e de seu povo, e em resposta às flagrantes" violações do cessar-fogo por parte de Israel.
O país árabe passou a ser outra grande frente de batalha da guerra desde que o Hezbollah o arrastou para o conflito em 2 de março, com o lançamento de foguetes contra Israel em apoio ao Irã. Desde então, ao menos 2.454 pessoas morreram nos bombardeios israelenses no Líbano.
burs-bar-vla/ph/cjc-arm/nn/rpr
E.Ramalho--PC