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Starmer renuncia e abre caminho para ala de esquerda do Partido Trabalhista
O primeiro-ministro britânico, o trabalhista Keir Starmer, anunciou nesta segunda-feira (22) sua renúncia como líder do Partido Trabalhista, mas destacou que permanecerá no cargo até a definição de seu sucessor, que poderá ser Andy Burnham, ex-prefeito da região metropolitana de Manchester.
Starmer acabou, em julho de 2024, com 14 anos de governos conservadores no Reino Unido, mas sua popularidade despencou após vários escândalos e uma economia estagnada. Muitos integrantes do Partido Trabalhista pediam sua renúncia.
"Todas as decisões que tomei foram para colocar o país que amo em primeiro lugar. É por isso que vou renunciar como líder do Partido Trabalhista", disse Starmer, 63 anos, com a voz embargada, em um discurso diante da residência do chefe de Governo em Downing Street.
O até agora prefeito da Grande Manchester, Andy Burnham, de 56 anos, afirmou que a renúncia de Starmer como líder do partido "marca o início de uma transição" e acrescentou que se apresentará como candidato.
Pertencente à ala de esquerda do partido, Burnham conquistou na semana passada uma vaga no Parlamento britânico, condição indispensável para aspirar ao cargo de primeiro-ministro.
Nesta segunda-feira, o agora ex-prefeito chegou sorridente ao Parlamento de Westminster, onde prestou juramento no início da tarde.
Wes Streeting, pertencente à ala de direita dos trabalhistas e que renunciou em maio ao cargo de ministro da Saúde, causou surpresa nesta segunda-feira ao afirmar que apoiará Burnham, pois até agora havia dito que participaria da disputa pela liderança do partido.
"Podemos ajudá-lo a impulsionar a mudança que nosso partido e nosso país precisam", escreveu Streeting no X.
O Comitê Executivo Nacional do Partido Trabalhista deve anunciar em 9 de julho a abertura das candidaturas para suceder Starmer, informou o próprio primeiro-ministro, que garantiu que permanecerá no cargo até a designação de um sucessor.
Na ausência de concorrentes, o cenário de uma eleição interna parece improvável, e o processo poderia ser concluído em 16 de julho, início do recesso de verão do Parlamento.
Nesse caso, Burnham poderia entrar em Downing Street já em 17 ou 18 de julho, segundo vários meios de comunicação.
Se não houver um candidato consensual, o processo poderia se estender até setembro, com o congresso do Partido Trabalhista em Liverpool.
Burnham, favorito para suceder Starmer, é um veterano político trabalhista conhecido como "o rei do Norte", que venceu na sexta-feira uma eleição legislativa parcial no norte da Inglaterra, o que lhe deu uma vaga de deputado no Parlamento.
Com posições mais esquerdistas que as de Starmer dentro do Partido Trabalhista, Burnham é o político mais popular do país neste momento, segundo as pesquisas.
Nigel Farage, o líder do partido anti-imigração Reform UK, que lidera as pesquisas nacionais há vários meses, exigiu a convocação de novas eleições.
Porém, a convocação de eleições não está prevista para antes de 2029 e, até lá, os trabalhistas mantêm uma ampla maioria parlamentar.
- Economia estagnada -
Desde que chegou ao poder em julho de 2024, a popularidade de Starmer não parou de cair, em um cenário de economia estagnada e aumento do custo de vida.
Além disso, ele enfrentou o escândalo da nomeação de Peter Mandelson como embaixador em Washington, apesar de seus vínculos com o criminoso sexual americano Jeffrey Epstein.
O governo trabalhista sofreu um grande revés nas eleições municipais de maio, quando perdeu quase 1.500 vereadores, e vários ministros renunciaram.
Starmer havia prometido resistir a qualquer desafio interno, mas vários funcionários de alto escalão do governo teriam afirmado a ele que sua etapa havia terminado depois que Burnham venceu a eleição na circunscrição de Makerfield, noroeste da Inglaterra, na semana passada.
Com a saída anunciada de Starmer, o Reino Unido se prepara para conhecer seu sétimo primeiro-ministro em 10 anos, um período de instabilidade sem precedentes no país que coincide justamente com sua saída da União Europeia.
O presidente francês, Emmanuel Macron, elogiou Starmer após tomar conhecimento de sua saída.
"Quero agradecer ao primeiro-ministro Keir Starmer por sua contribuição ao fortalecimento da relação franco-britânica, seu compromisso dentro da coalizão dos voluntários para a Ucrânia, assim como pela reativação da relação entre o Reino Unido e a União Europeia", disse Macron nas redes sociais.
F.Ferraz--PC