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Irã reitera que pretende manter controle de Ormuz
O Irã reiterou nesta terça-feira (23) que pretende manter o controle do Estreito de Ormuz, com a conclusão na Suíça de uma rodada de negociações com os Estados Unidos iniciada no fim de semana para tentar acabar com a guerra no Oriente Médio.
Durante as conversações do fim de semana na Suíça, "estabelecemos bases muito boas para um acordo final bem-sucedido", comemorou na segunda-feira o vice-presidente americano, JD Vance, que anunciou em seguida a suspensão por dois meses das sanções ao petróleo iraniano.
Os enviados americanos e o principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, deixaram na segunda-feira o hotel de luxo em Burgenstock, nos Alpes suíços, após 18 horas de discussões, mas suas equipes prosseguiram com as conversações técnicas.
As discussões foram concluídas nesta terça-feira e as negociações devem prosseguir posteriormente em grupos de trabalho, informou a diplomacia iraniana à agência oficial Irna.
Antes, Ghalibaf declarou que as condições no Estreito de Ormuz não voltarão a ser as mesmas de antes da guerra e que a via será "administrada" por Teerã, segundo declarações publicadas pela Irna.
O trânsito por Ormuz, por onde antes da guerra passava 20% do petróleo mundial, estava livre de qualquer controle antes do conflito, em 28 de fevereiro, com os ataques de Israel e dos Estados Unidos contra a República Islâmica.
"Todos devem saber que a administração do Estreito de Ormuz nunca mais será como era antes da guerra", disse Ghalibaf, que insistiu que o local será "administrado pelo Irã".
A declaração aconteceu depois que o governo dos Estados Unidos suspendeu por dois meses as sanções ao petróleo iraniano.
"Todas as transações" anteriormente "proibidas" relacionadas à produção, venda e transporte de hidrocarbonetos de origem iraniana "estão autorizadas até 21 de agosto, às 00h01 (de Washington)", indica uma licença publicada no site do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos.
Por sua vez, o presidente Donald Trump afirmou que Ormuz está agora "totalmente aberto" à navegação.
- A questão nuclear -
O Irã havia fechado essa rota marítima no início da guerra, provocando um golpe na economia mundial.
Na semana passada, Teerã e Washington assinaram um memorando de entendimento que estabeleceu as bases para as negociações, após quase 40 dias de ataques seguidos por semanas de um cessar-fogo frequentemente violado.
As negociações começaram no domingo, na Suíça, com o objetivo de alcançar, em um prazo de 60 dias prorrogável, um acordo definitivo sobre temas como o programa nuclear iraniano e as sanções internacionais contra Teerã.
Teerã confirmou nesta terça-feira que as conversas técnicas já foram concluídas e anunciou a criação de quatro grupos de trabalho para abordar os temas.
"Decidimos criar quatro comissões sobre a suspensão das sanções, a questão nuclear, a reconstrução e o desenvolvimento econômico (do Irã), assim como um grupo de acompanhamento", declarou à agência de notícias Irna o vice-chanceler iraniano, Kazem Gharibabadi.
Segundo o vice-presidente americano JD Vance, o Irã aceitou o retorno ao país dos inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Ele classificou isso como um "primeiro passo rumo à desnuclearização permanente".
O Irã afirmou nesta terça-feira, no entanto, que não tem a intenção de permitir o acesso dos inspetores da AIEA tenham às suas instalações nucleares bombardeadas pelos Estados Unidos e por Israel.
"Não tivemos nenhuma reunião com o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica e não prevemos que a agência inspecione as instalações nucleares iranianas danificadas pela agressão militar americana e sionista", declarou o porta-voz da diplomacia iraniana, Esmaeil Baqaei.
- Líbano -
Nas semanas e dias que antecederam as reuniões entre Irã e Estados Unidos, os repetidos confrontos no Líbano ameaçaram inviabilizar as negociações, com ameaças iranianas de voltar a bloquear o Estreito de Ormuz.
O acordo estabelece a cessação das hostilidades em todas as frentes, incluindo o Líbano, uma das principais exigências de Teerã.
Mas os líderes israelenses discordam. O primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, declarou que seus "soldados posicionados no sul do Líbano dispõem de total liberdade de ação para neutralizar qualquer ameaça direta ou potencial contra eles ou contra os habitantes do norte" de Israel.
"O Exército israelense não está sujeito a nenhuma restrição nesse assunto", acrescentou, referindo-se às tropas que combatem o movimento pró-iraniano Hezbollah.
Ao fim da primeira rodada de negociações na Suíça, Washington e Teerã decidiram pela criação de uma “unidade de gestão de conflitos” para o Líbano, segundo os mediadores do Paquistão e do Catar.
A célula, que não inclui Israel, foi proposta às vésperas de novos diálogos diretos em Washington entre Líbano e Israel, que não mantêm relações diplomáticas. Será a quinta rodada de negociações desde o início da guerra entre o Hezbollah e Israel, em 2 de março.
Desde o início das hostilidades, as operações israelenses no Líbano mataram 4.106 pessoas, segundo o mais recente balanço do Ministério da Saúde libanês. No mesmo período, o exército israelense informou a morte de 36 militares.
Além disso, mais de 11 mil edifícios no sul do Líbano ficaram "completamente destruídos" pela guerra, informaram nesta segunda a ONU e o Conselho Nacional de Pesquisa Científica do Líbano (CNRS), um instituto público.
As duas entidades estimaram em 1,38 bilhão de dólares (R$ 7 bilhões) o custo dos danos causados pelo conflito.
J.Oliveira--PC