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Keiko Fujimori alcança vantagem irreversível na eleição peruana
A candidata de direita Keiko Fujimori aparecia nesta quarta-feira (24) como a vencedora da eleição presidencial no Peru, após alcançar uma vantagem irreversível sobre seu rival de esquerda, Roberto Sánchez, após uma das votações mais disputadas da história recente da América Latina.
A vitória marcaria o retorno do fujimorismo ao poder, mais de duas décadas após a queda do ex-presidente autocrata Alberto Fujimori (1990-2000), pai da candidata de 51 anos.
Com 99,86% das urnas apuradas, Fujimori tinha 50,118% dos votos, contra 49,882% de Sánchez, segundo os dados publicados no site do Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE).
Keiko tem uma vantagem de pouco mais de 43 mil votos sobre Sánchez, com mais de 19 milhões de votos contabilizados. A diferença não pode mais ser revertida, pois restam 39.300 votos correspondentes a 131 atas eleitorais. O segundo turno aconteceu em 7 de junho.
Os resultados oficiais serão divulgados apenas dentro de alguns dias, informou na terça-feira à AFP um porta-voz do Júri Nacional de Eleições (JNE).
Sánchez afirmou em uma entrevista coletiva na manhã de terça-feira que não reconhecerá um eventual governo de Keiko Fujimori e denunciou que o procedimento eleitoral foi "gravemente afetado", especificamente durante a votação no exterior.
O candidato anunciou que recorrerá a instâncias internacionais e convocou uma nova mobilização para sábado em Lima.
O esquerdista pediu na segunda-feira a anulação dos votos emitidos no exterior.
Sánchez alega supostas irregularidades administrativas e de custódia do órgão eleitoral na votação no exterior, que representa quase 300 mil votos e favoreceu Keiko Fujimori em grande medida.
O candidato de esquerda afirma que, excluindo os votos emitidos fora do país, ele mantém uma vantagem de quase 25 mil sufrágios sobre a rival.
O JNE declarou, na terça-feira, improcedente o pedido de nulidade dos votos dos peruanos no exterior, por ser extemporâneo e por falta de pagamento das taxas eleitorais.
O candidato à vice-presidência do partido de Keiko, Força Popular, Luis Galarreta, questionou a decisão de Sánchez de não reconhecer um eventual governo de Fujimori e afirmou que apenas os órgãos eleitorais podem validar os resultados.
Ele advertiu ainda que não reconhecer o processo poderia resultar em ações à margem da lei e afetar a ordem democrática.
A Força Popular afirmou que aguardará 100% da apuração para se proclamar vencedora.
O período de apuração dos votos está dentro do padrão peruano. O resultado final do segundo turno de 2021 entre o esquerdista Pedro Castillo e Keiko Fujimori foi anunciado seis semanas depois da votação. Castillo obteve 50,12%, contra 49,87% de Fujimori.
Uma delegação da União Europeia afirmou que o segundo turno transcorreu de maneira "tranquila e ordenada", no contexto de uma campanha polarizada.
- Divisões profundas -
O segundo turno foi uma das eleições mais disputadas da história recente da América Latina. Os dois candidatos se alternaram na liderança da apuração até que Keiko Fujimori passou a assumir progressivamente a dianteira.
A campanha também evidenciou as divisões profundas do país. Keiko Fujimori obteve seus melhores resultados na costa e em vários centros urbanos, enquanto Roberto Sánchez venceu nas regiões rurais andinas.
O combate à insegurança e ao crime organizado, uma das principais preocupações dos peruanos, foi o eixo central da campanha de Fujimori.
Segundo uma pesquisa, quase 70% dos peruanos esperam que a luta contra o crime seja a prioridade do próximo presidente.
Sánchez, de 57 anos, destacou em seu discurso o fortalecimento das instituições e a redução das desigualdades.
A filha do falecido ex-presidente Alberto Fujimori, que governou o país com mão de ferro na década de 1990, reivindica a controversa herança do pai, a quem seus partidários atribuem a estabilização da economia e a derrota das guerrilhas das décadas de 1980 e 1990, mas que foi condenado por corrupção e crimes contra a humanidade.
Ela disputou a presidência pela quarta vez consecutiva. A votação era especialmente aguardada em um país marcado por forte instabilidade política.
Desde 2016, o país teve oito presidentes, em um contexto de crises institucionais recorrentes.
O vencedor substituirá, em 28 de julho, o presidente interino José María Balcázar para um mandato de cinco anos.
J.V.Jacinto--PC