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Trump vai ao Monte Rushmore para celebrar os 250 anos da independência dos EUA
O presidente americano, Donald Trump, inicia nesta sexta-feira (3) o fim de semana de celebrações pelos 250 anos da independência dos Estados Unidos com uma viagem a um monumento no qual muitos acreditam que ele gostaria de ver o próprio rosto esculpido na rocha: o Monte Rushmore.
Na véspera do Dia da Independência, Trump fará um discurso sob as gigantescas cabeças de granito de quatro de seus mais célebres antecessores, no monumento nacional localizado na Dakota do Sul.
A imagem combina com um presidente que se vê como um dos grandes líderes da história americana e que, em diferentes momentos, procurou transformar o aniversário do país em uma celebração de si mesmo.
Aliados republicanos chegaram a apresentar um projeto de lei para que sua imagem fosse esculpida ao lado das de George Washington, Thomas Jefferson, Abraham Lincoln e Theodore Roosevelt.
No próprio sábado, Trump realizará um grande comício político em estilo de campanha no National Mall, em Washington, acompanhado por sobrevoos de aeronaves militares e pelo que descreveu como o maior espetáculo de fogos de artifício do mundo.
Para Trump, milionário e ex-estrela de reality show que se tornou um habilidoso comunicador político, ocupar o centro das atenções faz parte de sua natureza.
"Trump gosta dos holofotes e acho que está tentando monopolizá-los", afirmou à AFP Peter Loge, diretor da Escola de Mídia da Universidade George Washington.
- "Discurso realmente longo" -
Mas os Estados Unidos de Trump seguem profundamente divididos em um momento que deveria simbolizar unidade nacional.
Sua taxa de aprovação está próxima dos níveis mais baixos já registrados, pressionada principalmente pela guerra com o Irã e pelo custo de vida.
Os democratas criticam suas políticas migratórias, a riqueza acumulada por sua família e as tentativas de ampliar os poderes da Presidência.
Além disso, seus esforços para imprimir sua marca pessoal às comemorações dos 250 anos nem sempre tiveram o resultado esperado.
Uma organização ligada a Trump, a Freedom 250, assumiu o controle de parte das celebrações em detrimento do grupo bipartidário America250, o que levou muitos participantes a se afastarem dos principais eventos.
Uma "Grande Feira Estadual Americana" realizada na capital atraiu pouco público e foi alvo de zombarias por causa dos estandes vazios.
Em junho, Trump promoveu um evento do Ultimate Fighting Championship (UFC) nos jardins da Casa Branca. Durante a programação, um dos lutadores afirmou falsamente que a ex-primeira-dama Michelle Obama "é um homem".
Uma intensa onda de calor também deve atingir Washington e grande parte do país durante o fim de semana comemorativo.
"No dia 4 de julho fará cerca de 107 graus (41°C), e eu vou fazer um discurso realmente longo, só para mostrar que posso fazer qualquer coisa", declarou Trump na quarta-feira.
- "Grande feriado" -
Para alguns americanos, é difícil entrar no clima de comemoração.
"O 4 de julho é realmente um momento de liberdade, mas preciso ser sincera: com o cenário político atual, a data não tem sido tão empolgante para mim nos últimos anos", disse à AFP Amy Kimaara, professora de educação especial de Los Angeles.
Pesquisas mostram que muitos americanos estão pessimistas quanto à possibilidade de realizar o chamado "Sonho Americano".
Um levantamento da Universidade Quinnipiac divulgado na quinta-feira mostrou que 61% dos americanos acreditam que o país não corresponde aos ideais estabelecidos na Declaração da Independência.
Trump tem usado cada vez mais as comemorações dos 250 anos como plataforma para mobilizar apoio aos republicanos - e a si próprio - antes das decisivas eleições legislativas de novembro.
Ainda assim, para muitos americanos, a data continua sendo motivo de celebração.
"Acho que tudo ficou mais politizado, mas isso não muda o fato de que o 4 de julho é um grande feriado para todos nós", afirmou Matt Jarvis, empresário de 55 anos de Los Angeles.
burs-dk/msp/hol/mar/dbh/lm/aa
A.Seabra--PC