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Clima extremo atrapalha comemoração pelos 250 anos dos EUA, chefiada por Trump
Condições meteorológicas extremas alteraram, neste sábado (4), o evento principal da comemoração dos 250 anos da independência dos Estados Unidos, embora o presidente americano, Donald Trump, tenha confirmado que fará seu discurso "aconteça o que acontecer".
Milhares de pessoas que desafiaram uma onda de calor sufocante para assistir ao evento no National Mall foram obrigadas a sair do local horas antes do horário previsto para o discurso de Trump devido à aproximação de uma tempestade elétrica.
Fortes rajadas de vento atingiram o local e relâmpagos cruzaram o céu, levando as autoridades a ordenarem que os presentes buscassem refúgio.
Enquanto muitos se dirigiam para as saídas, uma confusão começou quando outros se negaram a partir ou tentaram voltar a entrar, aos gritos de "Trump! Trump!'.
"Estamos evacuando! Mexam-se", gritavam os agentes da polícia aos milhares de presentes que resistiam, de visitantes idosos a famílias com bebês. Ainda não estava claro quando o local voltaria a abrir.
A tensão aumentou quando os agentes de segurança lutavam para conter a multidão.
O presidente americano, Donald Trump, disse que vai discursar neste sábado "aconteça o que acontecer".
Um funcionário da Casa Branca e um membro do comitê organizador 'Freedom 250' informaram que Trump agora deve fazer seu aguardado discurso no National Mall às 23h locais (00h de domingo, no horário Brasília). O discurso será seguido por um show pirotécnico.
- Calor extremo -
O aniversário, que comemora o aniversário da Declaração de Independência da Coroa britânica, em 4 de julho de 1776 na Filadélfia, coincide com uma onda de calor extremo que mantém cerca de 160 milhões de pessoas sob alertas meteorológicos.
"Apesar de o calor não ser tão intenso quanto se esperava, a multidão em Washington é incrível", afirmou Trump em sua plataforma Truth Social mais cedo neste sábado, quando as temperaturas na capital chegaram a 38ºC.
O calor estragou desfiles, festas nos bairros e os tradicionais churrascos que costumam marcar o 4 de julho.
O desfile em Washington foi cancelado quando a sensação térmica atingiu 41°C.
"O evento e o que significa para o nosso país nos inspira", disse Randy Cole, de 62 anos, funcionário civil aposentado que assistia às festividades em Washington.
"Passar um pouco de calor é muito menos do que muita gente sacrifica para nos dar esta liberdade neste país impressionante", acrescentou.
Na capital federal, muitos vestiam roupas com as cores ou as estrelas da bandeira americana.
Loselie Weber, uma imigrante que chegou legalmente aos Estados Unidos aos sete anos, veio especialmente do Texas para o ato. "Estou muito grata por ter tido o privilégio de viver aqui e pelas liberdades que (o país) me deu", disse.
Assim como outros, Melissa Pate, uma psicoterapeuta de Atlanta, lamentou, no entanto, o "clima político dominante".
"Os Estados Unidos que eu celebro não são do ódio e da polarização", afirmou Rajesh Mirchandani, de origem indiana, que adquiriu a nacionalidade americana em fevereiro.
- "Vamos recuperar os Estados Unidos!" -
Trump afirmou que a identidade americana sofre um "ataque renovado" de "radicais e extremistas" internos, e advertiu para um "ressurgimento da ameaça comunista".
O líder republicano insiste cada vez mais neste tema com vistas às eleições de meio de mandato, em novembro, após as várias vitórias da ala de esquerda do Partido Democrata nas primárias americanas. Os republicanos temem que a impopularidade do presidente lhes custe o controle do Congresso.
Neste sábado, o vice-presidente JD Vance, ecoou as palavras de Trump em um discurso em Nova York, no qual instou os americanos a "rejeitarem a visão de sua nação que vê apenas seus pecados, mas não sua graça, nem sua grandeza".
A polarização do país ficou evidente perto do Capitólio, onde homens encapuzados - alguns com bandeiras confederadas e outros com emblemas do grupo supremacista branco Patriot Front - se reuniram, gritando "Vamos recuperar os Estados Unidos!".
- "Contribuição dos imigrantes" -
O papa Leão XIV, o primeiro pontífice americano, que tem tido confrontos com Trump por sua ofensiva migratória, aproveitou a data para destacar sua visão inclusiva do sonho americano.
"Defender a vida humana também inclui acolher, proteger e assistir os imigrantes, cujas esperanças, sacrifícios e contribuição fizeram parte da história deste país desde seus inícios", afirmou o papa, nascido em Chicago.
Em Londres, o rei Charles III afirmou que o Reino Unido e o país surgido de suas ex-colônias continuarão "defendendo nossos valores compartilhados".
Após dois séculos e meio de triunfos e tragédias, escravidão e liberdade, guerra civil e guerras mundiais, várias pesquisas refletem um país crítico sobre seu rumo.
Uma pesquisa da Universidade Quinnipiac mostrou que 61% dos americanos consideram que os Estados Unidos não estão à altura dos ideais enunciados na Declaração de Independência, embora a maioria dos republicanos acredite que sim, e a maioria dos democratas considere que não.
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C.Cassis--PC