Nicarágua rompe relações com Itália por caso de fugitivo das Brigadas Vermelhas
Nicarágua rompe relações com Itália por caso de fugitivo das Brigadas Vermelhas / foto: STRINGER - AFP

Nicarágua rompe relações com Itália por caso de fugitivo das Brigadas Vermelhas

O governo nicaraguense anunciou, nesta quinta-feira (16), o rompimento das relações diplomáticas com a Itália, após críticas deste país por ter dado refúgio, durante décadas, a Alessio Casimirri, ex-membro das Brigadas Vermelhas, condenado pelo assassinato do ex-primeiro-ministro Aldo Moro, em 1978.

Tamanho do texto:

O chanceler italiano, Antonio Tajani, criticou na quarta-feira o fato de o governo dos copresidentes Daniel Ortega e Rosario Murillo continuar dando abrigo a Alessio Casimirri, condenado a seis penas de prisão perpétua pelo sequestro e assassinato do estadista italiano.

"Estamos rompendo todas as relações diplomáticas com o governo italiano" devido às declarações "injustificadas, agressivas e irresponsáveis" feitas pelo ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, a respeito do caso, segundo um comunicado do Ministério das Relações Exteriores da Nicarágua.

Tajani abordou o tema na quarta-feira, em Madri, durante um fórum de líderes conservadores da Europa e da Ibero-américa.

"Não temos absolutamente nada em comum com as posições de governos extremistas como o da Nicarágua, um país que ainda abriga perigosos terroristas (...) como Alessio Casimirri, que matou Aldo Moro, um dos políticos democratas-cristãos mais importantes da Itália", afirmou o chanceler em seu discurso.

"Este senhor vive em liberdade na Nicarágua, isto é inaceitável para nós", acrescentou Tajani, anunciando que a Itália "continuará exigindo que Casimirri responda à Justiça pelos crimes dos quais foi declarado culpado, tal como foi solicitado em uma resolução do Parlamento Europeu".

O governo nicaraguense considerou que o chanceler italiano teria "insultado", com "arrogância europeia", as normas de respeito entre os "povos e governos".

- Refúgio -

Casimirri, de 74 anos, foi condenado junto com quase 20 pessoas, a maioria delas atualmente em liberdade.

Em 2004, a Suprema Corte de Justiça da Nicarágua rejeitou um pedido de extradição apresentado pelo governo italiano.

Casimirri chegou à Nicarágua em 1983 e, cinco anos depois, obteve a nacionalidade nicaraguense, concedida durante o primeiro mandato de Ortega, ex-guerrilheiro de esquerda que voltou ao poder em 2007 e governa o país desde então.

Seu governo, classificado pelos Estados Unidos como uma "ditadura", mantém atritos com outros países por abrigar foragidos da Justiça como o ex-presidente panamenho Ricardo Martinelli e o ex-chefe colombiano de inteligência Carlos Ramón González, ambos acusados de corrupção. Martinelli está agora exilado na Colômbia.

Manágua também concedeu asilo ao ex-presidente salvadorenho Mauricio Funes, acusado de vários crimes e falecido no ano passado na capital nicaraguense.

Nos últimos anos, a Nicarágua também rompeu relações com Taiwan, Países Baixos, Equador e Israel, e ameaçou cortar os vínculos com o Vaticano, em meio a denúncias de graves violações de direitos humanos e perseguição a opositores forçados ao exílio.

Em 2023, o papa Francisco, falecido no ano passado, classificou o governo de Ortega e Murillo como uma "ditadura grosseira".

Enquanto isso, no início de 2026, a Espanha expulsou o embaixador nicaraguense em reciprocidade por uma decisão semelhante do governo Ortega.

P.Serra--PC