Bandar Abbas, o polo comercial iraniano às margens de Ormuz e na linha de frente da guerra
Bandar Abbas, o polo comercial iraniano às margens de Ormuz e na linha de frente da guerra / foto: RAZIEH POUDAT - ISNA/AFP/Arquivos

Bandar Abbas, o polo comercial iraniano às margens de Ormuz e na linha de frente da guerra

Com um extenso litoral no Estreito de Ormuz, o polo comercial iraniano de Bandar Abbas está na linha de frente da guerra com os Estados Unidos, enquanto seus moradores lutam para reconstruir seus meios de subsistência, devastados por meses de combates.

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Assim como no resto do Irã, os problemas financeiros têm assolado as famílias desta cidade do sul desde que os ataques dos EUA e de Israel desencadearam a guerra no Oriente Médio em fevereiro.

No entanto, ao contrário de grande parte do país, esta cidade portuária de cerca de meio milhão de habitantes permaneceu exposta aos combates mesmo após o cessar-fogo de 8 de abril ter trazido algum alívio a outras regiões.

Apesar de uma trégua adicional nas hostilidades em julho, os moradores ainda se sentem sufocados. Saeed Tajik, de 42 anos, trabalhava em um estaleiro até perder o emprego. Agora, ele dirige um táxi.

"Os preços da moradia e dos alimentos subiram muito. Quase todos os produtos básicos — arroz, iogurte e óleo — dobraram de preço", disse ele.

A escassez de combustível é um problema antigo no sul do Irã, onde as autoridades restringem o fornecimento em uma tentativa de conter o contrabando generalizado.

- "Tudo vem do mar" -

Dentro da cidade, as dificuldades econômicas são evidentes nas longas filas dos postos de gasolina e nos altos preços dos mercados locais.

O aeroporto bombardeado permaneceu praticamente fechado até 15 de agosto, o que obrigou os viajantes a enfrentar jornadas árduas por terra, às vezes envolvendo voos e travessias de barco.

Fora da cidade, continuam as obras da ponte Gachin, destruída por um ataque americano, enquanto carros trafegam por um desvio empoeirado abaixo.

Ao longo da costa, barcos de madeira tradicionais conhecidos como "lenjs" estão ancorados ao lado de embarcações de pesca e comerciais, parte de uma rede comercial centenária que liga o sul do Irã aos Estados árabes do outro lado do Golfo.

Em seu "lenj", Arash Tondro, de 45 anos, costumava transportar frutas iranianas para os Emirados Árabes Unidos, retornando com utensílios domésticos e outras importações.

"Minha renda ficou zerada no início da guerra", disse. Por causa do conflito, as rotas marítimas regionais foram interrompidas e "muitos dos 'lenjs' foram atingidos por drones", observou ele.

Na terça-feira, os Emirados Árabes Unidos suspenderam o comércio com o Irã, a quem acusaram de atacar um navio, o que Teerã nega.

Enquanto isso, Tondro segue sem saber o que acontecerá com seu sustento.

"As pessoas do sul dependem principalmente do comércio ou da pesca. Se você tirar o acesso delas ao mar e ao comércio, praticamente não sobra nada. Não temos agricultura aqui; tudo vem do mar", disse ele.

P.Queiroz--PC