Trump ameaça atingir Irã 'com força' após aumento dos ataques
Trump ameaça atingir Irã 'com força' após aumento dos ataques / foto: - - NAVCENT PUBLIC AFFAIRS/AFP

Trump ameaça atingir Irã 'com força' após aumento dos ataques

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou, nesta segunda-feira (31), atingir o Irã "com força" após ambos os países retomarem seus ataques cruzados, enquanto o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, considerou que continuar a guerra com Washington não trará benefícios para seu país.

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Seis meses após o início do conflito, o Irã mantém o bloqueio sobre o Estreito de Ormuz e Washington persiste em um cerco aos portos iranianos.

No fim da noite de domingo, os Estados Unidos anunciaram que haviam atacado uma ilha iraniana no estreito. Teerã respondeu bombardeando alvos militares americanos no Oriente Médio.

Essa troca, a primeira desse tipo em um mês, despertou temores de uma intensificação das hostilidades, e o presidente americano prometeu reagir. "Vamos atingi-los com força", disse Trump, segundo um jornalista da Fox News que afirmou ter falado brevemente com ele. "Haverá uma resposta".

Washington afirma que direcionou seus ataques contra lançadores de foguetes iranianos na Ilha de Larak para impedir que Teerã colocasse minas em Ormuz.

O Irã respondeu com ataques à Jordânia e aos Emirados Árabes Unidos, que teriam como alvo forças americanas, segundo Teerã.

Mais tarde, o presidente Pezeshkian defendeu o diálogo. "Continuamos nos empenhando para encontrar um caminho de acordo e entendimento e consideramos que manter a guerra não está em nosso interesse nem no interesse da região", declarou antes da cúpula da Organização de Cooperação de Xangai (OCX) no Quirguistão.

"Acreditamos que a solução para os problemas reside no diálogo e na compreensão, e que todas as capacidades devem ser mobilizadas para evitar o aumento da insegurança e do conflito", acrescentou, segundo um comunicado da Presidência iraniana.

O ataque dos Estados Unidos contra Larak deixou dois mortos e dois feridos, segundo a agência de notícias iraniana Tasnim.

A influente Guarda Revolucionária iraniana anunciou que respondeu lançando mísseis balísticos contra duas bases aéreas militares americanas na Jordânia, aliada de Washington, causando "graves danos".

O Exército jordaniano afirmou ter interceptado oito mísseis, sem precisar sua procedência.

Teerã também indicou nesta segunda-feira que atacou militares americano em uma base aérea nos Emirados Árabes Unidos utilizando "dezenas de drones", segundo a televisão estatal.

Os Emirados asseguraram ter "respondido" a um drone proveniente do Irã.

Esses ataques ocorrem após semanas em que as hostilidades haviam perdido intensidade. O governo Trump havia privilegiado a "guerra econômica" a bombardeios contra o Irã.

No entanto, houve trocas esporádicas de disparos na região, sobretudo no Estreito de Ormuz e em seus arredores.

Antes disso, Trump havia afirmado nesta segunda-feira, em sua plataforma Truth Social, que o Irã é "oficialmente uma nação fracassada".

"Eles não têm Marinha, não têm Força Aérea, não têm moeda, não estão pagando seus soldados nem a polícia, a inflação está em 300% e seus dirigentes encontram-se em caos total e são incapazes de representar adequadamente o país", escreveu.

- Disputa pelo controle de Ormuz -

O Estreito de Ormuz, por onde transitava um quinto das exportações mundiais de hidrocarbonetos, está bloqueado por Teerã, que ataca navios que tentam atravessá-lo.

Trump insiste que seu país tem "controle total" do Estreito de Ormuz e chegou a qualificá-lo como território dos Estados Unidos, depois que Washington anunciou, na semana passada, que havia concluído a remoção de explosivos da via marítima.

A Guarda Revolucionária afirmou nesta segunda-feira que um petroleiro "pirata" pegou fogo após ser atingido por duas minas ao tentar "passar pela rota ilegal" ao sul de Ormuz.

Horas depois, o Exército americano desmentiu essa informação e assegurou que "nenhum navio colidiu com minas no Estreito de Ormuz".

A guerra eclodiu em 28 de fevereiro com ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, que respondeu mirando em particular os países do Golfo aliados de Washington.

Um cessar-fogo em abril pôs fim a cerca de 40 dias de bombardeios, e em junho um protocolo de acordo para encerrar definitivamente o conflito foi alcançado.

O entendimento foi por água abaixo em julho, com a retomada das hostilidades. Desde então, as negociações estão em ponto morto.

M.A.Vaz--PC