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Banco Master, o escândalo financeiro que abala a campanha presidencial
A menos de um mês das eleições presidenciais, a campanha é ofuscada por um mega escândalo financeiro envolvendo um banqueiro rico com conexões nos mais altos escalões do poder.
O caso colocou o senador e candidato presidencial Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), na mira de uma investigação por corrupção.
O Supremo Tribunal Federal também está envolvido no escândalo.
Confira o que se sabe sobre o caso Master, "o maior roubo da história do Brasil", segundo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), adversário de Flávio na eleição.
- Como surgiu o escândalo?
O escândalo teve origem com Daniel Vorcaro, um empresário de 42 anos e dono do Banco Master.
Pequeno em comparação com seus concorrentes, esse banco foi liquidado em novembro de 2025 por insolvência, após acumular dívidas de quase R$ 40 bilhões. Vorcaro foi preso pouco antes, quando se preparava para embarcar em um jato particular em São Paulo.
Além da fraude financeira, os investigadores analisam os supostos vínculos do banqueiro, que se gabou por ter "amigos em todos os poderes", com figuras políticas. Entre elas, parlamentares como os senadores Jaques Wagner (PT-BA), aliado de Lula, e Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro de Jair Bolsonaro.
Lula admitiu ter se reunido com Vorcaro, fora da agenda, em dezembro de 2024, antes do Banco Master se envolver no escândalo.
- O que tem a ver com o filme sobre Bolsonaro?
"Dark Horse", uma cinebiografia de Jair Bolsonaro estrelada pelo ator americano Jim Caviezel, colocou o filho mais velho do ex-presidente em uma posição delicada.
Em abril, o site Intercept Brasil divulgou gravações de áudio enviadas por Flávio a Vorcaro, nas quais ele pedia, em tom de intimidade, grandes quantias de dinheiro para financiar o filme.
Flávio se viu então obrigado a reconhecer sua relação com o banqueiro, algo que havia negado anteriormente, e confirmou que Vorcaro contribuiu com milhões de dólares para o projeto.
Na sexta-feira, a suspensão parcial do sigilo bancário no caso Master revelou que Flávio Bolsonaro estava sendo investigado por corrupção e lavagem de dinheiro relacionados ao financiamento de "Dark Horse".
O senador, de 45 anos, nega qualquer irregularidade e afirma que o filme foi feito com "financiamento privado".
Na quinta-feira, a Polícia Federal realizou uma série de buscas e apreensões sob suspeita de desvio de verbas públicas. Entre os investigados está o deputado federal Mario Frias (PL-SP), alinhado a Bolsonaro e produtor executivo do filme.
- Por que afeta o STF? -
A crise no Supremo Tribunal Federal eclodiu na semana passada, quando um relatório policial revelou o conteúdo das mensagens enviadas por Vorcaro para um número atribuído ao ministro Alexandre de Moraes.
Moraes presidiu o julgamento em que Jair Bolsonaro foi condenado, no ano passado, a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado, e é considerado um inimigo da ala conservadora.
Nessas mensagens, enviadas em novembro de 2025, o banqueiro pede ajuda a Moraes, aparentemente para interromper a investigação que logo levaria à sua prisão.
O relatório policial foi divulgado por André Mendonça, ministro do STF indicado por Jair Bolsonaro, de quem foi ministro da Justiça.
Sua publicação desencadeou um embate acirrado entre os dois ministros, marcado por uma série de decisões judiciais. Moraes pediu uma investigação de seu colega por "abuso de autoridade".
Na tentativa de resolver a crise, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, declarou a "suspensão de todo e qualquer procedimento" contra os membros do tribunal e convocou uma sessão plenária para 15 de setembro.
Os ministros examinarão o pedido de André Mendonça para investigar Alexandre de Moraes por seus possíveis vínculos com Vorcaro.
R.J.Fidalgo--PC