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Novo teste para o governo alemão após vitória da extrema direita nas eleições regionais
O chanceler alemão, Friedrich Merz, enfrenta neste domingo um teste decisivo em duas novas eleições regionais, apenas 15 dias depois da vitória contundente do partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD) sobre os conservadores em Saxônia-Anhalt.
As votações na capital, Berlim, e no estado de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental (nordeste) despontam como disputas muito apertadas, cada uma marcada por dinâmicas eleitorais próprias.
O pleito de domingo será observado com atenção em toda a Europa. Espanha, Itália e França realizarão eleições em 2027, e as forças de extrema direita partem de posições de força nas pesquisas.
Neste contexto, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, advertiu na quarta-feira contra os partidos "ultranacionalistas" e "antieuropeus", aos quais acusou de ameaçar a coesão do bloco.
A AfD chega fortalecida após se impor de forma esmagadora à conservadora União Democrata Cristã (CDU) de Merz em Saxônia-Anhalt, uma região do leste pós-comunista, onde obteve cerca de 44% dos votos, contra apenas 17% dos conservadores.
A derrota da CDU abalou profundamente Merz e alimentou especulações sobre se o dirigente conservador, no poder desde maio do ano passado, conseguirá completar seu mandato de quatro anos à frente da principal economia europeia.
Ao chegar ao poder, o chanceler de 70 anos prometeu reativar a estagnada economia alemã, reforçar as capacidades de defesa frente à Rússia e combater a imigração irregular para reconquistar eleitores atraídos pela AfD.
Mas hoje, o partido alemão de extrema direita lidera várias pesquisas nacionais, a popularidade de Merz gira em torno de 10%, e a coalizão de governo com o social-democrata SPD está enfraquecida por disputas internas.
"Quando derrotas eleitorais, baixa popularidade de um líder e dúvidas dentro de seu próprio partido se retroalimentam, a autoridade política pode desmoronar com grande rapidez", advertiu Oliver Lembcke, cientista político da Universidade Ruhr de Bochum.
- Duas batalhas eleitorais -
Em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, a CDU desempenha um papel de espectadora na principal disputa entre a AfD e o SPD da popular ministra-presidente regional, Manuela Schwesig.
Segundo uma pesquisa recente do INSA, a AfD lidera a intenção de voto com 37%, seguida de perto pelos social-democratas, com 35%. A CDU, por sua vez, está com 7%, ficando perto do limite mínimo de 5% necessário para manter representação no Parlamento regional.
Uma queda abaixo desse limite seria histórica para os conservadores e aumentaria a pressão sobre Merz.
Em Berlim, a CDU, que atualmente governa a capital, trava uma disputa acirrada com a esquerda radical do Die Linke, muito popular entre os jovens por suas propostas para enfrentar a grave crise habitacional.
A AfD também pode obter um resultado sólido na capital, embora tudo indique que continuará excluída do poder tanto ali quanto em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental devido ao chamado "cordão sanitário" acordado pelo restante das principais forças políticas.
Independente do resultado das eleições, a AfD parece bem posicionada para continuar capitalizando o descontentamento de uma parte do eleitorado com os partidos tradicionais.
"Espero que aqui votem na AfD, porque a CDU governa há anos e não foi capaz de consertar as coisas", declarou à AFP a aposentada Manuela Schmidt, de 63 anos, em Berlim.
Merz convocou para domingo uma reunião da executiva da CDU a fim de analisar imediatamente os resultados e cancelou sua participação na Assembleia Geral da ONU da próxima semana.
V.F.Barreira--PC