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Lula promete na ONU combater 'inimigos da democracia' a duas semanas das eleições
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prometeu, nesta terça-feia (22), na ONU, impedir que "os inimigos da democracia", tanto brasileiros, quanto estrangeiros, interfiram nas eleições no Brasil, em meio a tensões latentes com Washington por suspeitas de ingerência eleitoral.
"Possuímos um sistema eleitoral moderno e robusto", disse Lula na Assembleia Geral da ONU, em Nova York.
"Sob o olhar atento de uma cidadania plural e de uma imprensa livre, não permitiremos que os inimigos da democracia, internos e externos, atentem contra a vontade popular", acrescentou.
Em 4 de outubro, o presidente disputará a reeleição frente ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (2019-2022), preso por tentativa de golpe de Estado.
"A democracia está novamente em xeque. Voltamos a presenciar a ingerência externa em processos eleitorais. A divisão do mundo em zonas de influência e investidas neocoloniais por recursos estratégicos constituem gestos anacrônicos", disse Lula.
Embora no púlpito ele não tenha nomeado o presidente americano, Donald Trump, o petista disse, na semana passada, que tinha previsto dizer ao republicano em Nova York que não se metesse nas eleições brasileiras.
Trump apoiou vários candidatos da direita vitoriosos em eleições em outros países latino-americanos.
A tensão entre Brasília e Washington começou em 2025, quando o governo Trump impôs um primeiro tarifaço ao Brasil em represália pelo julgamento de seu aliado, Jair Bolsonaro.
Lula acusa a família Bolsonaro de fazer lobby nos Estados Unidos a favor de medidas contra seu governo e prejudiciais para o Brasil.
"No dia 4 de outubro, milhões de brasileiras e brasileiros vão às urnas para definir o seu destino. Não vão apenas eleger o presidente da República, governadores estaduais e representantes do poder legislativo. Vão decidir entre democracia e negacionismo", enfatizou o presidente.
Por muito tempo em desvantagem nas pesquisas, Flávio Bolsonaro vem crescendo nas intenções de votos. A quase duas semanas do primeiro turno, está em empate técnico com Lula.
Em seu discurso, Lula também criticou duramente as Nações Unidas e o Conselho de Segurança, acusando-as de fracassar em sua missão essencial.
"A ONU está falhando em uma das suas missões mais elevadas: a de livrar a humanidade do flagelo da guerra", disse.
"Somos todos reféns do imobilismo de um Conselho de Segurança que não cumpre o seu papel", afirmou Lula, que defende uma reforma profunda neste órgão da ONU.
P.Cavaco--PC