Socialistas, a aposta arriscada do Partido Democrata para recuperar o Congresso nos EUA
Socialistas, a aposta arriscada do Partido Democrata para recuperar o Congresso nos EUA / foto: JEFF KOWALSKY - AFP

Socialistas, a aposta arriscada do Partido Democrata para recuperar o Congresso nos EUA

O Partido Democrata, animado pelas pesquisas eleitorais, se deixa levar pelo ímpeto de sua ala mais à esquerda, os Social-Democratas da América (SDA), que poderiam ajudá-los a reconquistar o Congresso, ainda que pagando um pedágio político.

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Afiliados à Internacional Socialista, os SDA preconizam a eliminação da polícia migratória (ICE), a abolição do Senado, uma "instituição anacrônica", na avaliação de Megan Romer, uma de suas líderes, e no longo prazo "substituir a Presidência" por um modelo colegiado, como funciona o partido.

Em nível social, gostariam que os Estados Unidos adotassem um sistema de saúde pública e de ensino gratuito até a universidade.

Perguntada sobre a imigração em massa que os Estados Unidos viveram durante o mandato do presidente democrata Joe Biden, Romer disse, em entrevista para a televisão: "Não estamos dizendo que seja preciso abrir as fronteiras amanhã".

"Queremos que todas as pessoas possam trabalhar, viver e estudar" e esta é "uma decisão coletiva", explicou.

Os DSA já começaram a experimentar suas propostas políticas em Nova York, onde o atual prefeito egresso de suas fileiras, Zohran Mamdani, abriu lojas de comida a preços baixos, custeadas pelo erário público, além de impor impostos sobre as residências secundárias.

Essas medidas são alvo de ações judiciais, interpostas por comerciantes e associações conservadoras.

- "Nossa Revolução" -

Os membros dos DSA costumavam se chamar entre si de "camaradas" e suas assembleias permitem a expressão de todo tipo de propostas, de cirurgias de mudança de sexo gratuitas ao rompimento de relações diplomáticas com Israel.

Cinco candidatos à Câmara de Representantes apoiados pelos DSA obtiveram a nomeação em distritos firmemente inclinados à esquerda.

A organização Our Revolution ("Nossa Revolução"), que surgiu das campanhas presidenciais do ícone da esquerda Bernie Sanders, afirma que até 22 novos aliados poderiam entrar na Câmara e seis no Senado, embora muitos enfrentem disputas competitivas.

O instituto de pesquisas Decision Desk dá aos democratas 76% chances de se apoderarem da Câmara de Representantes (435 assentos) e uma leve vantagem no Senado (35 assentos em disputa).

Entre os candidatos ao Senado destacam-se Abdul El-Sayed no estado de Michigan, com uma mensagem abertamente pró-palestina, e Angie Nixon na Flórida.

"Não acredito que ninguém seja ilegal", diz Nixon em sua plataforma, em alusão aos imigrantes.

Diante da campanha de pressão dos Estados Unidos sobre Cuba, Nixon declarou em julho: "chegou a hora de os Estados Unidos acabarem com seu teatro político".

- Fronteiras abertas? -

Os candidatos dos DSA aparecem com folga nas pesquisas graças à irritação popular com o aumento dos preços e a desconfiança com a guerra no Irã.

Embora pequena, sua base demonstra um grau de mobilização muito maior que a tradicional do Partido Democrata, que também sofreu graves problemas econômicos desde a derrota nas eleições de 2024.

Sua candidata à Presidência, Kamala Harris, não apenas foi derrotada por Donald Trump, mas também arrastou o partido, que perdeu doadores.

As corporações que podem dar grandes quantias de dinheiro ao Partido Democrata são reservadas sobre esta ascensão dos DSA.

Outros nomes do partido, como o ex-prefeito de Chicago, Rahm Emanuel, também parecem céticos.

"Alguém acredita que as pessoas queiram reduzir o orçamento da polícia? Apoiar fronteiras abertas, prisões abertas? Eu não, e essa não é a posição do partido", disse há duas semanas em uma entrevista televisionada.

Emanuel, que alguns observadores colocam na disputa da candidatura às presidenciais, acabou dando seu apoio ao candidato dos DSA a senador El-Sayed.

"Já deixamos de ser sócios júnior", afirmou o diretor-executivo da Our Revolution, Joseph Geevarghese.

"Se nosso movimento entregar a maioria, a liderança [do Partido Democrata] vai ter que conquistar nossos votos", disse.

Trump está fazendo campanha com base nesse temor do "comunismo nos Estados Unidos", e os republicanos mantêm a esperança de que as pesquisas voltem a estar equivocadas, como aconteceu com sua vitória em 2016 e seu retorno histórico à Casa Branca em 2024.

F.Santana--PC