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Zelensky desafia Trump com mais ataques a refinarias russas
O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, anunciou nesta quinta-feira (15) que a Ucrânia retomará seus ataques contra refinarias russas, desafiando a trégua energética anunciada pelo presidente americano, Donald Trump, e instou os Estados Unidos a não ficarem do lado do "agressor" em sua guerra contra Moscou.
As relações entre Kiev e Washington se deterioraram na última semana, depois que Trump decidiu suavizar as sanções contra a Rússia em troca do fornecimento, por parte de Moscou, de diesel para os mercados globais, incluindo o americano.
Zelensky classificou o acordo como "fraco" e "indigno", e afirmou que ele incentivará a Rússia a continuar sua guerra contra a Ucrânia, iniciada há mais de quatro anos. Vários aliados europeus de Kiev também criticaram o pacto.
No sábado, em resposta a essas críticas, Trump afirmou que, se o preço do diesel havia subido, isso se devia aos ataques ucranianos contra refinarias de petróleo russas, e declarou que já é "hora de a Ucrânia ter um novo presidente".
"O bloqueio [a ataques contra refinarias] foi suspenso", declarou ao jornal Financial Times em entrevista publicada nesta quinta-feira. "Acabamos com isso."
No domingo, Trump anunciou de surpresa um "cessar-fogo energético" entre Rússia e Ucrânia, do qual Zelensky disse não estar ciente. E, no início desta semana, a Ucrânia relatou interrupções no sistema americano de comunicação via satélite utilizado por suas tropas.
"Precisamos de HONESTIDADE de nossos parceiros sobre esta guerra: é importante que todos, nos Estados Unidos, fiquem não do lado do agressor, mas do lado de nossos esforços para proteger vidas, acabar com esta guerra e garantir a segurança", escreveu Zelensky no X, usando letras maiúsculas ao estilo do presidente americano.
Durante uma entrevista ao jornalista britânico Piers Morgan na quarta-feira, Zelensky admitiu ter se sentido "traído" pelo acordo assinado por Trump e Putin sobre o diesel.
Ele também questionou as orientações que Trump vem recebendo, depois que autoridades ucranianas acusaram abertamente os Estados Unidos de ajudar a Rússia.
"É doloroso que o presidente Trump escolha um lado e não o nosso", observou. "Acredito que seus assessores estejam equivocados (...) Esse não é o lado certo da história."
Desde que lançou sua invasão em larga escala contra a Ucrânia em 2022, a Rússia ataca sistematicamente a infraestrutura energética da ex-república soviética, provocando escassez de energia e de aquecimento, enquanto Kiev contra-ataca refinarias de petróleo russas que, segundo afirma, financiam a guerra.
Por outro lado, Trump enfrenta uma crise energética, decorrente da guerra que lançou contra o Irã, a qual causa escassez de petróleo, a poucas semanas das eleições legislativas de meio de mandato, em 3 de novembro.
- Problemas com o sistema de satélite -
O Kremlin acusou a Ucrânia, nesta quinta-feira, de frustrar os esforços de paz dos Estados Unidos ao retomar seus ataques.
Segundo o governo russo, uma refinaria de petróleo em Riazan, ao sul de Moscou, foi atingida em um "ataque em grande escala".
Kiev "continua lançando ataques contra essas instalações", declarou aos jornalistas o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov. "Isso entra em sério conflito com os esforços de paz dos Estados Unidos e dos negociadores americanos, que estão empreendendo enormes esforços para iniciar o processo de paz", acrescentou.
Nesta semana, a Ucrânia denunciou restrições no uso do Starshield, o que prejudica grande parte de sua defesa antiaérea e de suas operações com drones. Além disso, a situação coloca em dúvida o apoio americano ao país, devastado por esses anos de guerra.
Uma autoridade ucraniana, que falou sob condição de anonimato, declarou na quarta-feira à AFP que os Estados Unidos ameaçaram parar de compartilhar informações com a Ucrânia caso o país não encerrasse os ataques contra as refinarias russas.
Na madrugada de quarta-feira, Kiev e sua região foram atingidas por mísseis balísticos antes mesmo de as sirenes antiaéreas soarem e de a população buscar abrigo.
No entanto, o magnata da tecnologia Elon Musk, que também defendeu a substituição de Zelensky na presidência, afirmou que sua empresa, a SpaceX, não é responsável pela falha no funcionamento do sistema Starshield.
"Os sistemas Starshield são propriedade do governo dos Estados Unidos e estão sob seu controle. Qualquer limitação de largura de banda ou de uso é decidida pelo Exército americano e, em última instância, pelo presidente dos Estados Unidos", respondeu Musk em sua conta no X, para seus mais de 240 milhões de seguidores.
A Ucrânia utiliza o sistema Starshield, criado pela SpaceX, para comunicações no campo de batalha, ataques de médio alcance contra territórios ocupados pela Rússia e drones interceptadores.
Esse sistema é independente de outro, chamado Starlink, que é de uso civil e também utilizado pela Ucrânia, mas não para operações ofensivas.
J.Pereira--PC