Protestos abalam Albânia pelo quarto dia e premier denuncia interferência estrangeira
Protestos abalam Albânia pelo quarto dia e premier denuncia interferência estrangeira / foto: Adnan Beci - AFP

Protestos abalam Albânia pelo quarto dia e premier denuncia interferência estrangeira

Manifestações antigoverno abalaram a capital da Albânia nesta sexta-feira (16), pelo quarto dia consecutivo. O primeiro-ministro Edi Rama culpou "mãos estrangeiras" pelo descontentamento crescente.

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Os protestos no país dos Bálcãs começaram há mais de quatro meses, em rejeição a um projeto turístico ligado à família do presidente americano, Donald Trump, que provocou indignação devido à suposta corrupção e falta de transparência do governo.

Milhares de pessoas exigem a renúncia de Rama e melhores condições nas universidades. Nesta sexta-feira, a polícia usou gás lacrimogêneo e jatos d'água, enquanto os manifestantes atiravam pedras contra as forças de segurança e incendiavam contêineres de lixo para bloquear ruas por toda a cidade.

Os manifestantes tentaram forçar a entrada de repartições do governo na principal avenida da capital. Os confrontos continuaram noite adentro, em várias regiões da cidade.

A imprensa local informou que os protestos se espalharam para outras cidades, com episódios de violência de menor intensidade e boicotes estudantis nas universidades, o que representa uma escalada significativa das reivindicações.

"Não somos criminosos. Só queremos uma vida melhor. Não queremos deixar a Albânia", disse à AFP Ledia, 18 anos, que não informou seu sobrenome.

Rama insistiu que o protesto "não tem absolutamente nada a ver com as dificuldades, os problemas ou as aspirações legítimas daqueles que desejam uma vida melhor".

O primeiro-ministro socialista acusou interesses estrangeiros, que não identificou, de alimentar os distúrbios e tentar dificultar os esforços da Albânia para ingressar na União Europeia. O país deseja aderir ao bloco e espera concluir as negociações em 2027. "São mãos estrangeiras que não querem que a Albânia esteja em paz", afirmou, em vídeo publicado no Facebook.

A polícia informou que 160 pessoas foram detidas ontem por atos de violência. Um jornalista da AFP viu grupos de encapuzados destruindo vitrines e saqueando lojas.

O ministro do Interior, Ervin Demo, afirmou nesta sexta-feira que 156 pessoas ficaram feridas nos últimos dias, entre elas 97 policiais. Antes, havia destacado que foram registrados casos de uso excessivo da força policial em dois incidentes, e que dois agentes foram suspensos.

P.Serra--PC