Bukele dá ultimato a gangues haitianas para libertarem militares salvadorenhos
Bukele dá ultimato a gangues haitianas para libertarem militares salvadorenhos / foto: MARVIN RECINOS - AFP

Bukele dá ultimato a gangues haitianas para libertarem militares salvadorenhos

O presidente de El Salvador, Nayib Bukele, ameaçou nesta quarta-feira (21) acabar com as gangues haitianas caso não libertem quatro militares salvadorenhos integrantes de uma força apoiada pela ONU, que, segundo o presidente, estão sequestrados.

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No domingo, homens armados atacaram, perto de Porto Príncipe, o veículo blindado em que quatro técnicos de aviação retornavam de compras em um mercado. Desde então, eles estão desaparecidos, segundo as autoridades.

"Quero que vocês, chefes de gangues, entendam uma coisa muito claramente: o ataque de hoje não é nada comparado ao que está por vir", escreveu Bukele na rede social X, ao publicar um vídeo que mostra veículos militares e no qual é possível ouvir disparos. Segundo ele, as imagens mostram uma operação militar de resgate.

"Não considerem nossas palavras ameaças vazias. Já acabamos com as gangues em El Salvador e podemos acabar com as de vocês também. Ainda temos tempo para evitar isso", advertiu em sua mensagem, escrita em crioulo haitiano.

Os militares integram a Força de Repressão a Gangues (GSF, na sigla em inglês), uma missão multinacional apoiada pelas Nações Unidas para combater grupos armados no Haiti, país afetado pela violência das gangues e pela crise política.

Bukele afirmou que a missão salvadorenha conta apenas com pilotos e pessoal técnico para realizar evacuações médicas e "salvar vidas, não fazer a guerra". "Foram sequestrados de maneira covarde", declarou.

Na terça-feira, a GSF informou que as operações continuavam na região, com confrontos contra grupos armados. A força internacional relatou supostos integrantes de gangues mortos e feridos, além de quatro membros da missão que ficaram feridos.

O representante dos Estados Unidos na ONU, Mike Waltz, disse na segunda-feira ao Conselho de Segurança que seu país "trabalha" para garantir o retorno dos militares que sofreram a emboscada.

No Haiti, o país mais pobre das Américas, as gangues intensificaram nos últimos anos os assassinatos, sequestros, estupros e o recrutamento de menores.

A "guerra" contra as gangues lançada por Bukele há quatro anos em El Salvador reduziu os homicídios a mínimos históricos, mas organizações de direitos humanos denunciam detenções arbitrárias, abusos e mais de 500 mortes sob custódia do Estado.

J.V.Jacinto--PC