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Netanyahu anuncia grande operação na Cisjordânia após ataque
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, anunciou nesta sexta-feira (23) uma operação militar de grande escala na Cisjordânia ocupada, após um ataque que matou dois soldados, a poucos dias das eleições legislativas nas quais está em jogo sua sobrevivência política.
Dois soldados israelenses, de 20 e 23 anos, morreram no ataque cometido em Hebron por dois palestinos, que foram mortos pelas forças israelenses. Outros três militares sofreram ferimentos leves.
A quatro dias de eleições cruciais para seu futuro político, Netanyahu e seus aliados de extrema direita foram imediatamente a Hebron, a maior cidade da Cisjordânia, que foi cercada pelas forças israelenses.
O chefe de governo anunciou o lançamento de uma operação militar de grande escala, semelhante às realizadas desde 2025 em campos de refugiados palestinos no norte da Cisjordânia, com a retirada de moradores e uma grande mobilização militar.
As forças israelenses "retirarão os moradores e irão de casa em casa" no bairro de onde vieram os autores do ataque, declarou Netanyahu durante sua visita a Hebron, onde apareceu usando um colete à prova de balas.
O Exército israelense informou que estava realizando "operações antiterroristas" e divulgou um vídeo que mostra soldados mobilizados nas ruas da cidade.
Além das operações em Hebron, Netanyahu assegurou que está sendo preparada uma campanha militar de dimensão inédita em seis décadas em toda a Cisjordânia.
"O ministro da Defesa e eu estamos considerando uma operação de grande escala (na Cisjordânia), como não houve desde a Guerra dos Seis Dias", em 1967, afirmou o primeiro-ministro.
"Decidiremos quando será realizada, mas está em andamento", acrescentou.
- 'Como em Gaza' -
O ataque ocorreu em um posto de controle do Exército localizado em um cruzamento ao norte de Hebron, cidade dividida em dois setores: um controlado pelas autoridades palestinas e outro, onde vivem colonos israelenses, pelo Exército israelense.
A troca de tiros durou cerca de 20 minutos, segundo a imprensa israelense. Um fotógrafo da AFP presenciou o confronto quando se dirigia para cobrir outra reportagem e viu os corpos dos dois autores do ataque estendidos no chão, sob a vigilância de um soldado.
O ataque ocorreu, além disso, em um momento de intensificação das tensões na Cisjordânia, entre outros motivos, pelos ataques de colonos israelenses extremistas contra palestinos que trabalham na colheita de azeitonas.
O ministro israelense da Segurança Nacional, o ultradireitista Itamar Ben Gvir, aproveitou a ocasião para pedir que a Autoridade Palestina seja "desmantelada".
"Não devemos esperar que aconteça um 7 de outubro" na Cisjordânia, afirmou.
"É lá que a próxima guerra vai começar. A Autoridade Palestina deve ser desmantelada e desmilitarizada", acrescentou o ministro, que compareceu ao local do ataque.
O ministro das Finanças e figura da extrema direita israelense, Bezalel Smotrich, também pediu uma campanha militar na Cisjordânia "como em Gaza", para "desmantelar a Autoridade Palestina, confiscar as armas e eliminar os terroristas".
Posteriormente, ordenou a demolição de várias construções palestinas "ilegais" perto do local do ataque.
O ataque não havia sido reivindicado até o momento. Em comunicado, o movimento islamista palestino Hamas classificou o episódio como uma "operação heroica", mas não reivindicou sua autoria, e convocou os palestinos da Cisjordânia à "mobilização total" e a cometer ataques semelhantes.
- 'Evitar deslocamento forçado' -
Benjamin Netanyahu, que busca um novo mandato como chefe de governo, ordenou o "fechamento imediato" da cidade de Hebron e pediu ao Exército que se prepare para impor um "fechamento total" da Cisjordânia nesta sexta-feira.
Segundo o primeiro-ministro, foi evitado "um ataque de grande escala".
O ataque alterou a campanha eleitoral, e Netanyahu pediu a seu partido conservador, o Likud, que cancelasse todos os eventos programados para esta sexta-feira.
O principal adversário eleitoral de Netanyahu, o ex-chefe do Estado-Maior Gadi Eisenkot, elogiou a "coragem dos soldados" que "evitaram um atentado de grandes proporções".
A influente ONG humanitária israelense B'Tselem pediu pressão internacional para impedir que o governo de Israel remova palestinos em consequência do ataque.
A organização fez "um apelo urgente aos governos e às instituições internacionais para que ajam imediatamente, utilizando todos os meios disponíveis no âmbito do direito internacional, a fim de evitar o deslocamento forçado de civis palestinos, a punição coletiva e a destruição ilegal em grande escala em Hebron".
P.Mira--PC