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'Íamos voltar', diz astronauta da Nasa que ficou 'presa' na ISS
Sunita Williams, astronauta da Nasa que passou nove meses "presa" na Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês), garantiu nesta segunda-feira (31) que ela e seu colega nunca duvidaram de que voltariam, semanas depois de o presidente Donald Trump assegurar que seu antecessor Joe Biden planejava deixá-los no espaço.
"Suni" Williams e Barry "Butch" Wilmore retornaram da Estação Espacial Internacional em 18 de março, amerissando no litoral da Flórida, no sudeste dos Estados Unidos, a bordo da nave Dragon da empresa SpaceX, de propriedade do bilionário Elon Musk, hoje assessor do presidente Trump.
"Íamos voltar, e acho que as pessoas têm que saber que voltamos para compartilhar nossa história", afirmou Williams em uma coletiva de imprensa nesta segunda-feira no Centro Espacial de Houston.
Em fevereiro, Trump garantiu que seu antecessor, o democrata Biden, pensava em "deixá-los no espaço" para evitar uma "publicidade ruim" durante as eleições de novembro. Musk disse recentemente que se ofereceu no ano passado, durante a gestão Biden, para trazer Williams e Wilmore de volta mais rápido, mas que a proposta foi rejeitada por questões políticas.
Trump assegurou depois que pediu a Musk para acelerar o resgate e apresentou o retorno dos astronautas como uma promessa cumprida.
Williams e Wilmore viajaram na nave Starliner da Boeing em 5 de junho de 2024 para uma missão de oito dias. Após um problema na nave, a Nasa decidiu que esta voltaria sem tripulação à Terra e programou o retorno de Williams e Wilmore para fevereiro de 2025, a bordo de uma nave da SpaceX. A missão finalmente ocorreu dentro dos prazos programados.
Em setembro de 2024, uma missão com o astronauta Nick Hague e o cosmonauta russo Aleksandr Gorbunov chegou à ISS em uma cápsula com dois assentos extras para trazer seus colegas finalmente de volta em março.
"Quando você está operando no espaço, não sente a política e está focado estritamente na missão", disse, por sua vez, Hague, que também esteve presente na entrevista coletiva.
"De certa forma, ficamos presos, talvez encalhados, mas, do jeito que eles disseram, que fomos deixados abandonados e esquecidos em órbita, não estávamos nem perto disso", disse Wilmore mais cedo em entrevista à Fox News.
Apesar do ocorrido com sua nave, Wilmore disse na coletiva que os dois estavam prontos para partir novamente na Starliner da Boeing. "Vamos fazer com que isto funcione", assegurou.
"Todos somos responsáveis" pelos problemas surgidos durante este voo tripulado inaugural, insistiu, embora tenha assinalado que queria "olhar para frente".
"É uma grande nave espacial", disse Williams, por sua vez, acrescentando que estavam trabalhando nas "poucas coisas que precisam ser corrigidas".
T.Vitorino--PC