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UE e França anunciam plano para atrair pesquisadores estrangeiros, ameaçados por políticas de Trump
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente da França, Emmanuel Macron, anunciaram nesta segunda-feira (5) um plano milionário para atrair para a Europa pesquisadores de todo o mundo, ameaçados pelas políticas implementadas pelo presidente americano Donald Trump.
Von der Leyen destacou que o papel da ciência está sendo questionado "no mundo atual" e que isso é um "erro de cálculo gigantesco".
Em Paris, anunciou que, para incentivar cientistas e acadêmicos a escolher a Europa, a União Europeia (UE) investirá 500 milhões de euros (3,1 bilhões de reais) adicionais no período de 2025 a 2027.
A França, que sediou a conferência, investirá mais 100 milhões de euros (638 milhões de reais), anunciou o presidente Emmanuel Macron.
"Ninguém imaginaria que esta grande democracia, cujo modelo econômico é tão fortemente baseado na ciência livre, cometeria tal erro", disse Macron, sem mencionar diretamente os Estados Unidos.
Macron declarou que rejeita qualquer ordem “que consista em dizer que um governo" pode proibir "pesquisar isto ou aquilo".
Pesquisadores e universidades estão na mira do presidente republicano desde que ele retornou à Casa Branca em janeiro, em meio a cortes de financiamento e ameaças à liberdade de pesquisa.
Muitos cientistas podem querer continuar suas pesquisas em universidades estrangeiras.
Macron afirmou que "diante das ameaças", a Europa "deve se tornar um refúgio", fazendo um apelo, a partir da prestigiosa Universidade da Sorbonne, "a todas as mentes livres que querem trabalhar pela ciência e defender nosso modelo".
Para o presidente francês, sem uma ciência livre, perde-se "o que constitui o núcleo próprio das democracias liberais ocidentais".
Nos Estados Unidos, muitos programas de pesquisa estão sob ameaça de fechamento, dezenas de milhares de funcionários federais foram demitidos e muitos estudantes estrangeiros temem ser deportados por suas opiniões políticas.
Mas muitos especialistas apontam que um dos obstáculos é que, embora os países da UE possam oferecer uma infraestrutura de pesquisa competitiva e alta qualidade de vida, o financiamento para a pesquisa e a remuneração dos pesquisadores estão muito abaixo dos níveis nos Estados Unidos.
X.Matos--PC