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Sindicato da Samsung aprova acordo de bônus generosos para funcionários graças a lucros com IA
Os funcionários do grupo sul-coreano Samsung Electronics aprovaram nesta quarta-feira (27) um acordo que prevê, para milhares deles, vultosos bônus anuais atrelados aos lucros gerados pela inteligência artificial (IA), o que pode incentivar reivindicações do tipo em todo o setor.
A Samsung e o sindicato chegaram a esse acerto na semana passada para evitar uma greve geral de 18 dias. O acordo incluiu um novo regime de bônus elevados para os funcionários da divisão de semicondutores.
Pelo acordo de 10 anos, atrelado a ambiciosas metas de desempenho, os bônus anuais corresponderão a 10,5% do lucro operacional da divisão de chips e serão pagos em ações, juntamente com um adicional de 1,5% em dinheiro.
Isto garante que este ano quase 78 mil funcionários (de um total de 125 mil em todo o país) recebam em média 509 milhões de wons (338 mil dólares, R$ 1,7 milhão) cada, com base no lucro operacional avaliado pelo mercado de 331 trilhões de wons.
Os salários básicos devem aumentar 6,2% em média.
Dos aproximadamente 62.600 votos registrados, mais de 73% apoiaram o pacto, informou o sindicato em comunicado. A votação começou na sexta-feira e se estendeu até as 10h locais desta quarta-feira (22h de terça no horário de Brasília).
O acordo ocorre em meio a um boom global da IA que impulsionou o negócio da Samsung Electronics no setor de chips de memória, cruciais para os centros de dados dessa tecnologia.
A Samsung registrou um aumento de aproximadamente 750% em seu lucro operacional no primeiro trimestre em relação ao ano anterior, enquanto seu valor de mercado superou 1 trilhão de dólares (R$ 5 trilhões) no início de maio.
A possibilidade também havia despertado grande preocupação com o impacto econômico na Coreia do Sul, onde só a Samsung responde por cerca de 12,5% do PIB e os chips de memória representam aproximadamente 35% das exportações.
O conflito trabalhista também reacendeu o debate sobre como os ganhos da IA devem ser distribuídos.
Um funcionário de alto escalão da Presidência sul-coreana chegou até a sugerir a ideia de um "dividendo nacional" argumentando que o excedente de receitas fiscais relacionadas à IA poderia ser usado para financiar programas de bem-estar social, mas pouco depois o governo moderou sua postura.
Para os analistas, os bônus anunciados também podem impedir que os talentos sul-coreanos decidam trabalhar no exterior.
Dentro da Samsung Electronics, o acordo consolida as diferenças entre os funcionários do departamento de chips, que serão beneficiados pelos novos bônus, e os trabalhadores de outras divisões — telas, celulares, eletrônicos — cujos lucros operacionais estão estagnados ou em queda.
L.Carrico--PC