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Esposa do primeiro-ministro espanhol poderá ir a júri popular
A esposa do primeiro-ministro espanhol, Begoña Gómez, poderá ir a júri popular, uma decisão do juiz responsável por seu processo por desvio de recursos públicos nesta quarta-feira (24), sujeita a recurso.
O magistrado Juan Carlos Peinado considera que uma funcionária contratada pelo gabinete do premiê, Pedro Sánchez, trabalhou para Gómez em suas atividades privadas, o que constituiria o crime.
Gómez, a funcionária Cristina Álvarez e Francisco Martín Aguirre, que supostamente a contratou enquanto trabalhava na Presidência e agora é delegado do Governo em Madri foram chamados por Peinado para ouvir sua decisão.
A notícia chega um dia após um tribunal rejeitar o último recurso de David Sánchez, irmão do chefe de Governo, que ficou a um passo de ser julgado por tráfico de influências após sua contratação por uma instituição pública no sudoeste da Espanha em 2017.
Além desses casos, outras ações judiciais enfraquecem Sánchez: uma envolve dois ex-colaboradores próximos, seu antigo número três Santos Cerdán e seu ex-ministro dos Transportes José Luis Ábalos, suspeitos de receber propinas em troca de obras públicas, e outra contra o procurador-geral do Estado, nomeado por seu governo.
- "Indícios" de "fatos delitivos" -
Segundo a decisão de Peinado, à qual a AFP teve acesso, existe "verossimilhança dos fatos" pelos quais Begoña Gómez é acusada, pelo que "poderíamos estar diante de indícios racionais, fundamentados e sólidos da prática de atos delitivos".
O magistrado destacou que "a amizade pessoal anterior" de Gómez com Álvarez seria "a razão de sua nomeação para o cargo de máxima confiança (...) o que implicaria em desvio de recursos públicos em favor de interesses privados".
Peinado deu por encerrada a instrução e propôs que o caso vá a "julgamento perante o Tribunal do Júri", ou seja, um júri popular.
Ao se apresentar ao juiz em 10 de setembro, Gómez negou categoricamente o crime, afirmando que pediu de forma "pontual" a Álvarez para "enviar alguma mensagem", mas insistiu que ela "nunca" a auxiliou em suas atividades profissionais.
- "Renúncias já" -
Além deste caso, o magistrado analisa desde abril de 2024 se Gómez se aproveitou do cargo de seu marido em seus negócios privados, no que poderiam configurar corrupção e tráfico de influência.
Este caso provocou um forte confronto entre o Ministério Público, que pediu seu arquivamento, e o juiz, irritando Pedro Sánchez, que manteve o país em suspense por vários dias ao mencionar uma possível renúncia, que não se concretizou.
No início de setembro, o dirigente socialista acusou alguns juízes de "fazerem política", ao ser questionado sobre os casos judiciais envolvendo vários de seus aliados, que afirmou derivarem de "denúncias falsas".
As investigações contra sua esposa e seu irmão foram iniciadas após denúncias de grupos ligados à extrema direita.
"Neste ritmo, o sanchismo [o governo de Sánchez] vai precisar de um banco de réus maior do que a mesa do Conselho de Ministros. Renúncias já", escreveu nesta quarta-feira no X o secretário-geral do Partido Popular (PP, direita) Miguel Tellado.
O PP pede quase diariamente a renúncia de Sánchez pelos casos judiciais que o cercam.
P.Serra--PC