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Governo Trump lança operação contra imigrantes 'criminosos' em Nova Orleans
O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS, na sigla em inglês) lançou, nesta quarta-feira (3), uma operação "contra imigrantes irregulares com antecedentes criminais" em Nova Orleans, após criticar as autoridades democratas da cidade por não cooperar.
"Os homens e mulheres das forças de segurança do DHS chegaram a The Big Easy", escreveu na rede social X a secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, ao utilizar o popular apelido dessa cidade situada no estado da Louisiana.
O presidente Donald Trump reiterou na terça-feira sua intenção de enviar militares da Guarda Nacional a Nova Orleans (sul), como fez desde junho em Los Angeles (oeste), Washington e Memphis (sul), contra a vontade das autoridades locais democratas.
Trump disse ter recebido uma ligação do governador republicano da Louisiana, Jeff Landry, pedindo ajuda.
O departamento especificou em um comunicado que inicia esta operação "direcionada contra imigrantes irregulares com antecedentes criminais que estão em liberdade devido às políticas de santuário" adotadas pelas autoridades democratas de Nova Orleans.
Essas políticas implementadas por numerosos estados e cidades governadas por democratas consistem em limitar estritamente a colaboração entre as forças de segurança locais e agentes do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE, na sigla em inglês), para proteger os imigrantes em situação irregular de possíveis deportações.
A prefeita eleita de Nova Orleans, a democrata Helena Moreno, que assumirá seu cargo em 12 de janeiro, expressou nesta quarta sua preocupação pelas operações da autoridades migratórias.
"O que estamos vendo em todo o país e em outras cidades é que a Patrulha Fronteiriça parece visar pessoas de pele morena e potencialmente violando inclusive alguns de seus direitos ao devido processo", disse.
Um fotógrafo da AFP no local presenciou várias detenções durante a manhã.
Trump transformou a luta contra a imigração irregular em uma prioridade absoluta. Seu governo associa sistematicamente a criminalidade à imigração clandestina.
Mas, segundo estatísticas não publicadas pelo ICE obtidas por especialistas do Instituto Cato, de tendência liberal, apenas 5% das pessoas detidas pelos agentes de imigração desde o início do ano fiscal, em 1º de outubro, foram condenadas por atos de violência, e cerca de 70% não possuem nenhuma condenação.
O DHS contesta esses números e argumenta que "70% das detenções realizadas pelo ICE envolvem estrangeiros em situação irregular acusados ou condenados por crimes nos Estados Unidos".
L.E.Campos--PC