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Prédios marcados com 'D' simbolizam mortes após terremotos letais na Venezuela
Um D pintado com tinta spray aparece na fachada de um dos prédios destruídos pelos dois terremotos que atingiram a Venezuela há uma semana. A letra enterra as esperanças de encontrar sobreviventes sob os escombros.
Ela significa "deceased" (morto) e faz parte da nomenclatura internacional respaldada pelas Nações Unidas para operações de busca e resgate após terremotos.
A marcação ajuda as equipes de resgate a saber que determinado local já foi vistoriado e o que foi encontrado ali. Também permite identificar riscos e determinar o estado das estruturas, seja para recuperação ou para declará-las inabitáveis.
A letra D se repete em dezenas de edifícios destruídos no estado costeiro de La Guaira, a 40 quilômetros de Caracas, a região mais atingida pelos dois fortes tremores que sacudiram o país na quarta-feira (24).
As imagens de La Guaira são assustadoras. Há destruição em quase todos os lugares. Dezenas de edifícios de onde se podia contemplar paisagens caribenhas ruíram em segundos durante os terremotos mais devastadores já registrados na Venezuela.
- "Não se perde tempo" -
Números oficiais indicam que a tragédia deixou cerca de 2 mil mortos. A ONU, por sua vez, estima cerca de 50 mil desaparecidos.
"A grande maioria" dos edifícios em ruínas em La Guaira tem a letra D marcada, disse à AFP Javier Rodes, coordenador de uma equipe de resgate da Espanha.
O grupo de Rodes revisitou locais já inspecionados por outras equipes, como o edifício residencial Costa Azul, em Caraballeda, também no estado de La Guaira.
"Não se perde tempo em um lugar onde não se espera encontrar pessoas com vida", afirmou.
Nala, a cadela da equipe de socorristas, farejou uma montanha de concreto e ferragens, mas não detectou sinais de sobreviventes.
Depois da marcação indicando a inexistência de possíveis sobreviventes, agentes da Polícia Nacional Bolivariana da Venezuela acrescentaram outra identificação: um "X" e a palavra "demolir".
A Nasa calcula que 58 mil edifícios foram danificados ou destruídos nesse país pouco acostumado a atividade sísmica intensa.
- "Um enterro digno" -
As buscas ocorreram sob forte calor e chuvas noturnas.
Embora o prédio onde viviam seu pai, sua irmã e sua avó já tenha sido marcado com a letra D na entrada, Helén Guedez e seu irmão continuam procurando sem descanso em meio a uma enorme montanha de escombros.
Uma retroescavadeira remove pesadas paredes de um amontoado do que, até uma semana atrás, era um luxuoso edifício com vista para o mar.
"O prédio se partiu a partir do sexto andar e os andares inferiores ficaram soterrados", conta Guedez.
Apenas duas pessoas sobreviveram ao desabamento da estrutura de nove andares.
"Vamos continuar procurando porque gostaríamos de recuperar os corpos de nossos familiares e lhes dar um enterro digno", acrescenta.
Além dos edifícios marcados com D, há outros identificados com a letra I na entrada para indicar que são inabitáveis.
A.P.Maia--PC