Colômbia ainda busca centenas de desaparecidos após forte terremoto
Colômbia ainda busca centenas de desaparecidos após forte terremoto / foto: Luis ACOSTA - AFP

Colômbia ainda busca centenas de desaparecidos após forte terremoto

A Colômbia entra nesta sexta-feira (14) em uma nova fase das buscas por centenas de desaparecidos sob prédios residenciais, escritórios e hospitais destruídos pelo forte terremoto do começo da semana, enquanto diminuem as chances de encontrar sobreviventes.

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Socorristas e voluntários completam o quarto dia de trabalhos sobre montanhas de escombros, na esperança de conseguir algum resgate milagroso após a tragédia, que deixou 287 mortos até o momento.

O terremoto de magnitude 7,4 atingiu localidades do Pacífico e da região cafeeira, no oeste do país, onde as autoridades buscam 379 pessoas que estão desaparecidas.

De capacete e lanterna, Hernán Giraldo acredita que seu filho está vivo sob os escombros de um hotel em Pereira, uma das cidades mais afetadas. Juan Felipe Giraldo, de 24 anos, tem casamento marcado com a namorada para o próximo domingo.

"Se ele sair com vida, (o casamento) será realizado depois (...) o que importa é que esteja vivo, que saia vitorioso", disse à AFP o homem de 43 anos, que sente "no coração" uma esperança "muito grande".

Máquinas pesadas já removem os escombros em vários pontos do país, onde as equipes descartaram a possibilidade de encontrar sobreviventes. Um forte cheiro de decomposição se espalha pelas áreas mais devastadas.

Um técnico de som voluntário pede autorização para entrar em uma área destruída de Pereira e introduzir microfones especiais entre estruturas metálicas e paredes.

Há esperança, "se nos permitirem entrar, fizerem com que todos fiquem em completo silêncio e pudermos colocar os microfones e pedir (às possíveis vítimas) algum sinal de vida, batidas, arranhões, gritos", disse Néstor Vélez, de 45 anos.

- Necrotérios -

Em Cali, a cidade com o maior número de mortos, parte do necrotério desabou, e os corpos encontrados estão sendo levados para Palmira, a 30 quilômetros de distância.

Nos arredores, cerca de 20 pessoas esperam notícias de parentes mortos ou desaparecidos. Enquanto aguardam, algumas procuram as tendas destinadas a atendimento psicológico, alimentação e hidratação ou um espaço para orações identificado por uma placa com a frase "Quer que oremos por você?".

Luis Arturo Ríos passou vários dias procurando uma amiga desaparecida, até receber a notícia de que o corpo dela estava no necrotério.

"Estamos esperando recuperar o corpo para sepultá-la", disse o homem de 70 anos.

María Alejandra Hernández vive a mesma situação. Os corpos de três familiares dela estão no necrotério.

"Estamos passando por uma situação muito difícil e complicada. Obviamente haverá demora (...) mas nos sentimos bem amparados", disse a mulher de 40 anos neste necrotério, que tem capacidade para apenas 20 corpos.

Com apenas uma semana no poder, o novo presidente Abelardo de la Espriella enfrenta o desafio de administrar a crise e acelerar a reconstrução.

Sem entrar em detalhes, De la Espriella anunciou um possível aumento de impostos e convidou empresas privadas a colaborar.

"Esta crise (...) nos atinge em um momento difícil, em meio a uma crise fiscal", afirmou. Ao longo da semana, o presidente fez visitas rápidas às cidades afetadas, onde prometeu subsídios para aluguel.

O Banco Mundial anunciou, nesta sexta-feira, que já liberou 200 milhões de dólares (R$ 1,05 bilhão) em ajuda emergencial. A instituição também iniciou "um estudo rápido para determinar o custo do terremoto".

Vários países, incluindo os Estados Unidos, tradicional aliado da Colômbia, enviaram ajuda ao país.

- Solidariedade -

Milhares de pessoas em todo o país arrecadam alimentos, água, medicamentos e roupas para enviar às regiões onde os desabrigados dormem ao relento.

Cerca de 13.000 casas foram destruídas, e famílias inteiras estão sem moradia.

Em Bogotá, o principal estádio da cidade foi preparado para receber toneladas de doações. Centenas de voluntários formam correntes humanas para levar os mantimentos até a área de triagem.

De tempos em tempos, a multidão aplaude para manter o ânimo.

"Nosso coração está com eles (...) Contem sempre conosco", disse a professora Luz Mary González.

Em Quibdó, capital do departamento de Chocó, um dos mais pobres do país e epicentro do terremoto, dezenas de pessoas improvisaram um abrigo em um ginásio.

Idosos descansavam sobre colchonetes, enquanto voluntários serviam café e empanadas.

Moradores afirmam que a situação das crianças é delicada.

"Há crianças que foram afetadas pela febre", contou Carmen Hernández, presidente de uma associação de migrantes venezuelanos no departamento.

A.P.Maia--PC