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Museu de Hong Kong coloca Picasso em diálogo com a arte asiática
Há mais de um século, Pablo Picasso transformou a basílica do Sacré Coeur, em Paris, em uma teia de linhas emaranhadas em sua tela, desconstruindo a realidade com as pinceladas do mestre cubista.
Na exposição que será inaugurada em Hong Kong no sábado, essa pintura será exibida ao lado de uma forma mais literal de desconstrução, um desenho feito com pólvora detonada pelo artista chinês Cai Guo-Qiang, como parte de um diálogo intercultural.
"O interesse pela vida e obra de Picasso não diminuiu, nem mesmo na Ásia", diz Doryung Chong, diretor artístico e curador-chefe do museu M+.
A exposição combinará mais de 60 peças do mestre espanhol emprestadas pelo Museu Picasso de Paris com 130 obras de artistas da Ásia ou da diáspora asiática.
Os destaques incluem "Retrato de um Homem" do período azul de Picasso, o esboço de uma cabeça de cavalo para seu famoso "Guernica" e "Massacre na Coreia", uma pintura expressionista antibélica de 1951.
"As exposições de Picasso tendem a ser muito monográficas", disse Chong. "Sentimos que seria mais produtivo para entender Picasso (...) criar essas justaposições e diálogos inesperados."
Cecile Debray, presidente do Museu Picasso em Paris, elogiou a "abordagem descentralizada do ponto de vista ocidental".
- Conectar a Ásia com o mundo -
A última grande exposição da obra do artista em Hong Kong foi organizada em 2012 e atraiu um grande público.
Na última década, a reputação de Picasso foi afetada pelo movimento #MeToo e pelas críticas ao tratamento abusivo que ele dava às suas parceiras.
"É claro que somos muito abertos e honestos sobre os aspectos mais perturbadores de sua biografia, mas também não devemos deixar que isso determine o significado de toda a sua carreira", argumentou Chong.
Autoridades desta cidade chinesa semiautônoma elogiaram a exposição de quatro meses e esperam que eventos culturais deste tipo impulsionem a visibilidade internacional de Hong Kong, enfraquecida pela repressão aos protestos democráticos em massa e muitas vezes violentos em 2019.
Desde sua inauguração no final de 2021, o museu M+ recebeu mais de oito milhões de visitantes, um dos poucos sucessos do projeto de criação do Distrito Cultural de West Kowloon.
Chong afirma que o museu busca conectar a cultura asiática com a do resto do mundo, citando como exemplo a exposição de Picasso ao lado do pintor autodidata de Hong Kong, Luis Chan.
Chan, que tira grande parte de sua inspiração do mestre espanhol em suas obras, fez parte "da antiga geração, onde o treinamento artístico formal não era possível em Hong Kong".
"Mesmo assim, sentia-se conectado ao mundo da arte naquela época em Paris e a uma figura muito importante naquele contexto, Picasso."
C.Amaral--PC