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Alemanha reforça controles nas fronteiras com Polônia e República Tcheca
A Alemanha reforçará seus controles de fronteiras com Polônia (de 470 km) e República Tcheca (650 km), em meio ao aumento do fluxo migratório que pressiona o governo de Olaf Scholz e regiões lotadas de solicitantes de asilos. O anúncio foi feito pela ministra do Interior, Nancy Faeser, nesta quarta-feira (27).
Os controles não serão permanentes, como exigidos pelos conservadores do CDU, o principal partido de oposição, uma medida excepcional na União Europeia (UE), sobre a qual Bruxelas deve ser informada.
"Mas não descarto que os adotemos mais tarde", se os controles adicionais "não funcionarem", advertiu Faeser.
Até agora, os únicos pontos de controle permanentes para entrar na Alemanha se encontram na fronteira austríaca, um legado da crise migratória de 2015-2016, quando a maior economia europeia acolheu mais de um milhão de refugiados.
- Tensão externa -
A situação atual é muito diferente daquela época, quando quase 200.000 entradas ilegais eram registradas ao mês na Alemanha.
Desde o início do ano, a polícia registrou cerca de 71.000 entradas ilegais, quase 60% a mais que no mesmo período do ano passado. Nesse tempo, também aumentaram os pedidos de asilo, 77% (204.000 contra 115.000), segundo as estatísticas oficiais.
Com o auge do partido de extrema direita AfD, que está batendo recordes nas intenções de voto, a questão do acolhimento de refugiados voltou ao debate político.
O ministro das Finanças, Christian Lindner, declarou ao Bundestag nesta quarta-feira que a Alemanha "perdeu parcialmente o controle de acesso" a seu território e que esta situação "não deve se prolongar".
Da oposição conservadora, Markus Söder pediu que seja estabelecido um máximo de 200.000 solicitantes de asilo por ano, uma ideia que o governo rejeitou.
O governo alemão também está sendo criticado no exterior.
A Itália criticou-o por suspender a acolhida de migrantes transferidos por Roma no marco de um programa de solidariedade, uma medida de Berlim em resposta à decisão do Executivo italiano de descumprir sua obrigação de atender os solicitantes rejeitados por outros países e que passaram anteriormente pela Itália.
As relações também não estão em seu melhor momento com a Polônia, por onde passam os migrantes procedente do leste. Na semana passada, Berlim e Bruxelas pediram explicações a Varsóvia sobre uma suposta fraude de vistos de entrada na UE que atingiu membros do governo polonês.
Na Alemanha, municípios e regiões declararam que estão no limite de suas capacidades de acolhimento migrantes.
A situação é muito delicada considerando que, em menos de duas semanas, em oito de outubro, eleições regionais colocarão Olaf Scholz à prova na Baviera (sul) e em Hesse (centro).
A ministra do Interior é candidata dos social-democratas, o partido de Scholz, em Hesse, onde fica Frankfurt.
A.Santos--PC