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ONU alerta para forte aumento da pobreza em Gaza e Cisjordânia com a guerra
A guerra entre Israel e o Hamas levará dezenas de milhares de palestinos à pobreza, tanto em Gaza quanto na Cisjordânia, cujo desenvolvimento pode retroceder em ao menos dez anos, alerta a ONU nesta quinta-feira (9).
Após um mês de guerra e bombardeios do exército israelense em Gaza, a taxa de pobreza nos territórios palestinos (Faixa de Gaza e Cisjordânia) aumentará de 26,7% para 31,9%, segundo estimativas do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). São 285 mil novos pobres que se somam ao milhão e meio existentes antes da guerra.
Essa taxa pode chegar a 35,8% se a guerra durar mais um mês (500 mil novos palestinos em situação de pobreza) ou a 38,8% se se prolongar por dois meses (660 mil novos pobres).
A guerra desencadeada após o ataque sem precedentes do Hamas contra Israel em 7 de outubro é um golpe "violento" para a economia palestina, afirma o relatório.
A ONU prevê uma queda do PIB entre 4,2% e 12,2%, dependendo da duração do conflito. O desemprego pode crescer entre 5 e 13 pontos percentuais em 2023, somando-se à taxa de 24,7% registrada antes do conflito.
Isso antecipa "uma crise de desenvolvimento para os próximos anos", disse o chefe do PNUD, Achim Steiner, à AFP.
Em Gaza, pelo menos 45% das residências foram destruídas ou danificadas, assim como os estabelecimentos comerciais e meios de subsistência. Imagens de satélite mostram que, nos governos da Cidade de Gaza e no norte da Faixa, mais de 36% das estufas foram afetadas, e mais de mil campos estão desfigurados por crateras, indica o relatório.
"De acordo com nossas previsões mais cautelosas, é provável que este conflito faça regredir o desenvolvimento em pelo menos dez anos" nos territórios palestinos, insiste Steiner.
Em um cenário mais pessimista, o índice de desenvolvimento humano - que leva em conta a expectativa de vida, a educação e o nível de vida - pode retroceder ao nível de 2007.
Portanto, é necessário começar "a pensar no desenvolvimento agora, e não apenas na ajuda humanitária", argumenta Steiner, pedindo que se aprenda com as "lições" do passado, em particular a lentidão da reconstrução anterior e a dependência de Gaza da assistência.
Durante a guerra entre o Hamas e Israel em maio de 2021, foram destruídas 1.700 casas; um ano depois, apenas 200 haviam sido reconstruídas, segundo o relatório.
"Devemos pensar em como acelerar a remoção de destroços e trazer materiais", diz o responsável pelo PNUD, que também pede a instalação de painéis solares e unidades de dessalinização.
"Para que os habitantes confinados na Faixa de Gaza possam não apenas sobreviver, mas também garantir uma economia que funcione no que podem ser anos de tensão", acrescenta.
G.M.Castelo--PC