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Trump celebra 'grande progresso' em negociações comerciais com China
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado (10) que o primeiro dia de conversas com a China sobre sua guerra comercial fez "um grande progresso" e representou "uma reinicialização total" nas relações entre as duas potências econômicas.
A negociação em Genebra, que continuará no domingo, é o primeiro encontro de alto nível entre os Estados Unidos e a China após a rápida escalada da disputa entre os dois países que provocou um colapso nos mercados globais.
Em uma publicação na Truth Social, Trump celebrou as "excelentes" conversas. "Uma reinicialização total negociada de maneira amigável, mas construtiva", escreveu o presidente, acrescentando: "GRANDE PROGRESSO FEITO!!!".
Desde seu retorno à Casa Branca em janeiro, Trump transformou as tarifas alfandegárias em arma política. Embora sua ofensiva seja global, ele se concentrou especialmente na China, à qual impôs novas tarifas de 145%.
Pequim prometeu lutar "até o fim" e respondeu com tarifas de 125% sobre os produtos americanos, além de outras medidas dirigidas a setores e empresas específicas.
O resultado é que o comércio bilateral entre as duas maiores economias do mundo estagnou e os mercados sofreram grandes turbulências.
Em Genebra, os Estados Unidos estão representados pelo secretário do Tesouro, Scott Bessent, e pelo representante de Comércio, Jamieson Greer. A delegação chinesa é liderada pelo vice-primeiro-ministro He Lifeng.
"O contato estabelecido na Suíça é um passo importante para promover a resolução do problema", destacou um comentário publicado pela agência oficial de noticias Xinhua, sem entrar em detalhes sobre o avanço das negociações.
As reuniões começaram no sábado em um chalé luxuoso do Representante Permanente da Suíça nas Nações Unidas em Genebra e terminaram por volta das 20h locais (15h de Brasília). Serão retomadas no domingo.
Na sexta-feira, o presidente americano, Donald Trump, sugeriu reduzir para 80% as tarifas alfandegárias cobradas dos produtos chineses.
"O presidente gostaria de resolver o problema com a China. Como ele disse, gostaria de apaziguar a situação", assegurou o secretário do Comércio, Howard Lutnick, em declarações à Fox News na sexta-feira.
A redução anunciada por Trump segue sendo simbólica porque neste nível, as tarifas aduaneiras seguem tendo um grande impacto nas exportações chinesas para os Estados Unidos.
- Um passo "construtivo" -
As discussões em Genebra são "um passo positivo e construtivo rumo à redução da escalada", disse a diretora-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Ngozi Okonjo-Iweala.
Em meados de abril, Okonjo-Iweala mostrou-se "muito preocupada" e inclusive avaliou que mesmo que o comércio entre China e Estados Unidos "represente apenas cerca de 3% do comércio mundial de mercadorias, um desacoplamento" das duas principais economias "poderia ter consequências consideráveis".
A presidente da Suíça, Karin Keller-Sutter, relacionou a eleição do papa Leão XIV com as negociações.
"O Espírito Santo esteve em Roma. Devemos esperar que agora venha a Genebra durante o fim de semana", disse na sexta-feira.
O vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, chegou às negociações com o dado positivo de que a China aumentou em 8,1% suas exportações em abril, um número quatro vezes maior ao previsto pelos analistas.
Apesar disso, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, advertiu que Trump "não vai baixar unilateralmente as tarifas alfandegárias para a China" e pediu "concessões".
Segundo Bonnie Glaser, diretora do programa Indo-Pacífico do grupo de especialistas German Marshall Fund, "um resultado possível das discussões na Suíça seria um acordo para suspender a maioria, senão todas as tarifas aduaneiras impostas este ano durante a duração das negociações bilaterais".
Por sua vez, Lizzi Lee, especialista em economia chinesa do Asia Society Policy Institute, espera um "gesto simbólico e provisório", que poderia "aliviar as tensões, mas não resolver desacordos fundamentais".
Xu Bin, professor da Escola Internacional de Negócios China Europa (CEIBS), em Xangai, teme que as tarifas aduaneiras não voltem a um "nível razoável".
"Mesmo se baixarem", afirma, "provavelmente será pela metade e, novamente, serão altas demais para ter um comércio normal".
E.Ramalho--PC