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Lula é recebido pelo presidente da Indonésia para assinatura de acordos econômicos
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva acompanhou nesta quinta-feira (23) a assinatura de acordos econômicos com a Indonésia, no início de uma viagem pelo sudeste asiático, também afetado pelas tarifas dos Estados Unidos.
Na Indonésia, o quarto país mais populoso do mundo e novo membro dos BRICS, o presidente do Brasil inicia uma visita à região que recordou ser o quinto maior parceiro comercial do seu país.
A viagem o levará em seguida à Malásia para participar na reunião de cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), que começa no domingo e durante a qual poderia se reunir com o presidente americano Donald Trump.
Em Jacarta, Lula foi recebido no palácio presidencial da capital indonésia por seu homólogo Prabowo Subianto.
Os dois acompanharam a assinatura de acordos sobre petróleo, gás, energia elétrica, tecnologia, mineração e agricultura.
A viagem acontece alguns meses após Trump impor uma tarifa de 19% às importações procedentes da Indonésia, em virtude de um acordo comercial, e uma tarifa de 50% aos produtos brasileiros.
"Como é possível que dois países tão importantes no mundo, como Indonésia e Brasil, que juntos somam quase 500 milhões de habitantes, tenham um comércio de apenas 6 bilhões de dólares? É pouco para a Indonésia e é pouco para o Brasil", questionou Lula durante uma declaração à imprensa.
Subianto destacou que os dois países estão trabalhando para estabelecer um acordo de livre comércio entre a Indonésia e o Mercosul, formado por Brasil, Argentina, Paraguai, Bolívia e Uruguai.
Em uma referência velada à guerra tarifária iniciada por Washington, Lula ressaltou: "A Indonésia e o Brasil não querem uma segunda Guerra Fria. Queremos livre comércio (...), queremos multilateralismo, não unilateralismo".
Os dois presidentes também se comprometeram a combater juntos a crise climática.
"Somos dois dos países com maiores florestas tropicais e maior biodiversidade do mundo. Também somos grandes produtores de biocombustíveis, que terão um papel fundamental na transição (...). Indonésia e Brasil trabalharão juntos", disse Lula.
"Vou disputar um quarto mandato no Brasil. Então, estou lhe dizendo que ainda vamos nos encontrar muitas vezes", declarou a Subianto.
O Brasil é um dos principais parceiros comerciais da Indonésia na América do Sul. O comércio total entre os dois países entre janeiro e agosto alcançou 4,3 bilhões de dólares (23 bilhões de reais), segundo dados do governo indonésio.
Em janeiro, a Indonésia aderiu ao bloco Brics, do qual o Brasil é um dos fundadores.
F.Ferraz--PC