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Empresas mexicanas denunciam medidas dos EUA que corroem T-MEC
As empresas mexicanas pedem que a iminente revisão do tratado de livre comércio com os Estados Unidos e o Canadá (T-MEC) evite medidas unilaterais, como as tarifas impostas por Donald Trump, que corroem o acordo, segundo um relatório oficial apresentado nesta segunda-feira (9).
O acordo entre os três países será revisado este ano pela primeira vez desde que entrou em vigor, em 2020. O processo ocorre em meio à ofensiva do presidente americano, Donald Trump, contra o livre comércio global e seus parceiros norte-americanos, aos quais ele chegou a ameaçar se retirar do acordo.
As empresas "nos pedem para aprimorar o tratado, para evitar medidas unilaterais; para que não haja tarifas além do que está estipulado no próprio tratado e para avançar em direção a uma visão comum para a América do Norte competir com outros países", especialmente os da Ásia, explicou o secretário de Economia do México, Marcelo Ebrard, em uma coletiva de imprensa para apresentar o relatório.
Elaborado com base em consultas a representantes de 30 setores industriais mexicanos, o relatório denuncia medidas como as tarifas sobre aço e alumínio anunciadas por Trump e as taxas "antidumping" (contra a concorrência desleal) sobre produtos como o tomate, "que não têm qualquer fundamento e são contrárias ao tratado".
Medidas como essas "podem corroer a integração alcançada" com o T-MEC, acrescenta o relatório.
O T-MEC é vital para a economia mexicana, cujo principal parceiro comercial são os Estados Unidos, destino de mais de 80% de suas exportações.
As reivindicações dos setores industriais decorrem de consultas públicas realizadas pelo governo desde setembro, como parte da primeira revisão do T-MEC, processo também conduzido por Estados Unidos e Canadá.
Ebrard acrescentou que as empresas mexicanas também buscam segurança nas decisões tomadas pelos três países, em um momento em que a região norte-americana compete com diversos países asiáticos.
"Não podemos ficar criando ou discutindo regras básicas o tempo todo", afirmou, acrescentando que isso os colocaria em uma desvantagem "autoimposta" em comparação com outros atores.
- Primeira rodada com EUA -
Na última quinta-feira, Washington e México anunciaram a primeira rodada de discussões bilaterais para 16 de março. Na sexta-feira, o Canadá informou que seus representantes comerciais haviam discutido a revisão trilateral.
Segundo Ebrard, esta primeira rodada abordará a necessidade de reduzir a dependência da América do Norte em relação a componentes de outras regiões, as regras de origem — ou seja, a porcentagem de peças nacionais ou regionais que os produtos fabricados na América do Norte devem conter — e a segurança econômica do bloco.
"Isso significa que temos tudo resolvido? Não, mas se eu tivesse dito há um ano que começaríamos a primeira rodada de negociações em março, a maioria de vocês teria dito: 'Este secretário está sendo otimista demais'", afirmou.
Os industriais mexicanos já expressaram suas opiniões sobre essas questões em consultas realizadas pelo governo.
Por exemplo, o setor automotivo, considerado por décadas a joia da coroa do comércio na América do Norte, pediu que as regras de origem não fossem endurecidas.
Outros setores identificaram como um "desafio central" aumentar o conteúdo local do que é produzido e comercializado na América do Norte.
Um grupo de indústrias estratégicas — química, farmacêutica, metalúrgica, de materiais críticos e semicondutores — também alertou para a alta dependência de materiais e componentes não produzidos na América do Norte.
C.Amaral--PC