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Guerra no Oriente Médio reacende temores de nova crise do petróleo
Os ataques contra infraestruturas petrolíferas nos países do Golfo, em meio à guerra, e a alta dos preços do petróleo reacendem temores de uma nova crise como as dos anos 1970, embora economistas considerem que ainda não se chegou a esse ponto.
- O que é uma crise do petróleo? -
Em geral, uma crise do petróleo corresponde a uma escassez de oferta que provoca forte alta dos preços e impacto negativo no crescimento global, embora não haja definição única.
O mundo vive uma crise de preços da energia, mas "talvez seja um pouco cedo para chamá-la de uma verdadeira crise do petróleo", como as de 1973 ou 1979, afirmou Hélène Baudchon, economista-chefe adjunta do BNP Paribas.
Segundo ela, as restrições atuais são menos graves e concentram-se no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo e gás liquefeito consumidos no mundo.
Além disso, os países da Agência Internacional de Energia (AIE) decidiram liberar 400 milhões de barris de reservas estratégicas e afirmam poder liberar mais "se necessário".
Philippe Dauba Pantanacce, do Standard Chartered, destaca que o abastecimento hoje é mais diversificado do que nos anos 1970 e que as energias renováveis ampliaram as fontes de eletricidade.
Ele ressalta que isso não elimina os impactos, e revisou a previsão média do Brent para 2026 para 85,50 dólares (cerca de 444 reais, na cotação atual) ante 70 dólares anteriormente (364 reais).
O banco Edmond de Rothschild aponta que a economia global atual consome menos petróleo: são necessárias "quatro vezes menos" unidades para gerar um ponto percentual do PIB do que nos anos 1970.
- Três crises petrolíferas -
Em 1973, a Opep elevou os preços em 70% e impôs embargo a países pró-Israel, provocando forte alta e recessão global.
Em 1979, a revolução iraniana e a guerra Irã-Iraque impulsionaram o barril a 40 dólares (208 reais na cotação atual).
Em 2008, o preço superou 100 dólares e chegou a 147 dólares (764 reais hoje), impulsionado por conflitos, demanda crescente e especulação.
- Temor de nova crise -
Em crises geopolíticas, o preço do petróleo incorpora um "prêmio de risco geopolítico" ligado à possibilidade de queda da oferta.
A atual guerra no Oriente Médio provoca "a interrupção mais significativa" do fornecimento, segundo a AIE. O Brent e o WTI giram em torno de 100 dólares, com alta de 40% a 50% desde o início do conflito em 28 de fevereiro.
Segundo o Edmond de Rothschild, há poucas alternativas ao Estreito de Ormuz, e a capacidade de armazenamento dos produtores está perto do limite, o que pode forçar cortes na produção.
F.Carias--PC