Ex-chanceler de Guiana em vantagem na disputa para dirigir a ONU
Ex-chanceler de Guiana em vantagem na disputa para dirigir a ONU / foto: Leonardo MUNOZ - AFP

Ex-chanceler de Guiana em vantagem na disputa para dirigir a ONU

A ex-chanceler da Guiana Carolyn Rodrigues-Birkett, uma das oito candidatas ao cargo de secretária-geral da ONU, apareceu em vantagem nesta sexta-feira (21) ao término de uma segunda "votação indicativa" no Conselho de Segurança, segundo uma fonte diplomática.

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A candidata mais jovem (52 anos) entre os postulantes ficou à frente da ex-vice-presidente da Costa Rica, Rebeca Grynspan (70 anos), que havia ficado em primeiro lugar em uma votação inicial em julho, assim como do diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), o argentino Rafael Grossi (65 anos).

Reunidos a portas fechadas desde as 10h locais (11h de Brasília), os 15 membros do Conselho atribuíram anonimamente a cada candidato uma das seguintes classificações: "apoia", "não apoia" ou "sem opinião".

Confirmando várias publicações especializadas na cobertura da ONU, a fonte diplomática informa que a guianense obteve 8 "apoia", 3 "não apoia" e 4 "sem opinião", à frente da costarriquenha (7-4-4) e do argentino (7-6-2).

Até o momento, cinco mulheres e três homens aspiram a suceder o português António Guterres, de 77 anos, que encerrará seu segundo mandato de cinco anos em 31 de dezembro.

"É cedo demais para alcançar um consenso", antecipou após a votação o embaixador da República Democrática do Congo, membro do Conselho, Zenon Ngay Mukongo.

Daniel Forti, do International Crisis Group, disse antes da votação que os países com poder de veto - Reino Unido, China, França, Rússia e Estados Unidos - poderiam esperar até mais adiante para expressar suas preferências, enquanto novos candidatos poderiam surgir.

- O ano da América Latina? -

De acordo com uma tradição geográfica de alternância entre continentes, que nem sempre é respeitada, a América Latina reivindica desta vez o posto, o que explica por que a maioria dos candidatos é da região. Muitos também pressionam para que, pela primeira vez, uma mulher assuma o cargo.

Completam o grupo de postulantes a ex-presidente chilena e ex-alta comissária de Direitos Humanos da ONU Michelle Bachelet (74 anos), a ex-chanceler equatoriana María Fernanda Espinosa (61), o destacado diplomata ugandês Olara Otunnu (75), o ex-presidente senegalês Macky Sall (64) e a diplomata e ex-ministra do Comércio do Equador Ivonne A-Baki (75).

- Resultado incerto -

Essa eleição ocorre em um momento em que a ONU atravessa um dos períodos mais difíceis de sua história, diante do enfraquecimento do multilateralismo, de divisões persistentes no Conselho de Segurança e de graves dificuldades financeiras.

Sob pressão especialmente dos Estados Unidos de Donald Trump, que questionam regularmente seu papel e seu financiamento, as Nações Unidas não conseguem influenciar vários conflitos importantes, enquanto os cortes orçamentários ameaçam suas operações humanitárias e de paz.

Nesse contexto, Carolyn Rodrigues-Birkett defende, em particular, um fortalecimento do multilateralismo e uma organização mais ágil, mais eficaz e menos paralisada por seus pesados entraves burocráticos.

Para se impor ao final desse processo, que pode se prolongar por semanas ou até meses, um candidato deve obter pelo menos nove votos e evitar o veto de qualquer um dos cinco membros permanentes do Conselho (Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido).

O nome será depois submetido à Assembleia Geral, que, na prática, costuma seguir a indicação do candidato recomendado.

Ninguém se arrisca a fazer previsões, já que as preferências dos diferentes membros ainda parecem muito difusas, especialmente no que diz respeito às grandes potências com direito a veto.

"Teremos que analisar com serenidade esta nova votação informal, em que o sinal é de que não há um candidato ou candidata favorita, já que aqueles que lideravam perdem apoio. A ex-presidente decidirá os próximos passos a seguir junto com Brasil e México", disse à AFP Antonia Urrejola, integrante da equipe de ex-chanceleres que apoia Michelle Bachelet.

Novos candidatos ao cargo também poderiam surgir, afirmou na quinta-feira à imprensa Vassili Nebenzia, representante permanente da Rússia na ONU.

"Se, por exemplo - e agora estou especulando -, ocorrer um impasse em torno de um dos candidatos que vemos, se nenhum deles conseguir se destacar, então acho que poderíamos ver o surgimento de outras" figuras, considerou.

F.Ferraz--PC