-
Trump aumenta pressão para alcançar acordo de paz e ameaça Irã com novos bombardeios
-
Ted Turner, fundador da CNN, morre aos 87 anos
-
Navio de cruzeiro com surto de hantavírus vai atracar nas Canárias
-
Prêmio Princesa de Astúrias reconhece criatividade do Studio Ghibli
-
Tribunal israelense rejeita libertação de Thiago Ávila e de ativista espanhol-palestino
-
Bienal de Veneza inicia com polêmica por presença da Rússia
-
Eleições locais no Reino Unido, um teste difícil para um governo trabalhista em baixa
-
Tradição, Trump e tênis: cinco pontos sobre o papa Leão XIV
-
Pontificado de Leão XIV: um ano de moderação ofuscado pela crise com Trump
-
Passageiros com suspeita de hantavírus são retirados de navio e levados aos Países Baixos
-
Papa Leão XIV celebrará missa na Sagrada Família de Barcelona em 10 de junho
-
Venezuela defende na CIJ seu direito 'irrenunciável' à região de Essequibo
-
Rússia ataca Ucrânia durante cessar-fogo decretado por Kiev
-
Rolling Stones lançarão novo álbum 'Foreign Tongues' em 10 de julho
-
Casemiro acha "difícil" United renovar seu contrato, apesar dos apelos da torcida
-
Trump suspende operação de escolta de navios em Ormuz para impulsionar acordo com Irã
-
Palmeiras vence Sporting Cristal (2-0) e assume liderança do Grupo F da Libertadores
-
Adolescente abre fogo em escola no Acre e deixa dois mortos
-
Musk 'ia me bater', diz cofundador da OpenAI em julgamento nos EUA
-
Hulk assina com Fluminense até o fim de 2027
-
Luis Díaz e Olise, os parceiros de Kane na 'operação virada' contra o PSG
-
Três casos suspeitos de hantavírus em cruzeiro serão evacuados para Cabo Verde
-
Bombardeios russos na Ucrânia deixam mais de 20 mortos horas antes de possível trégua
-
Arsenal vence Atlético de Madrid (1-0) e vai à final da Champions
-
Transportadores fazem greve e bloqueiam estradas na Bolívia devido à crise de combustíveis
-
Corinthians aposta em Lingard para tentar garantir classificação antecipada na Libertadores
-
Exército dos EUA diz estar preparado para retomar combates contra Irã se receber ordem para isso
-
Trump diz perante grupo de crianças que faz exercícios 'um minuto por dia'
-
Morre José 'Piculín' Ortiz, lenda do basquete porto-riquenho
-
Edin Terzic é o novo técnico do Athletic Bilbao
-
Estêvão volta ao Brasil para tratar lesão com objetivo de ir à Copa do Mundo
-
Lula pode se reunir com Trump em Washington na quinta-feira
-
Molière volta aos palcos graças a peça criada com IA
-
Sabalenka se diz disposta a boicotar Grand Slams para exigir melhor divisão de receitas
-
Fifa convida federação iraniana a Zurique para 'preparar' Copa do Mundo
-
Febre K-pop: fãs aguardam ansiosos a chegada do BTS no México
-
Cruzeiro com hantavírus procura porto e OMS aponta para Espanha
-
Israel prolonga detenção de Thiago Ávila e ativista espanhol-palestino
-
Califórnia nas mãos de um republicano? Divisão entre democratas pode abrir caminho
-
Paraíso sob terror: violência assola destino turístico da Colômbia
-
Ex-crianças-soldado aprendem ofícios para reconstruir a vida na República Centro-Africana
-
Ex-modelo acusa caça-talentos francês de recrutá-la para Epstein
-
Ucrânia denuncia 'cinismo absoluto' da Rússia por ataques antes da trégua
-
Explosão em mina de carvão deixa nove mortos na Colômbia
-
Hostilidades em torno de Ormuz ameaçam cessar-fogo entre EUA e Irã
-
Rússia decreta trégua em 8 e 9 de maio, e Ucrânia anuncia seu próprio cessar-fogo a partir de 4ª feira
-
Suspeito de iniciar incêndio em Los Angeles ressentia os ricos, dizem promotores
-
Blake Lively e Justin Baldoni chegam a acordo para encerrar longa batalha judicial
-
Prêmios Pulitzer reconhecem cobertura sobre governo Trump
-
Hostilidades aumentam no Golfo com início de operação dos EUA em Ormuz
A luta de Serra Leoa para manter jovens grávidas nas escolas
Hawa, de 18 anos, gostava de competir com sua prima pelas melhores notas na escola, até que oito meses atrás ela engravidou.
"Estudávamos muito juntas, eu era uma das melhores da classe", garantiu Hawa à AFP.
As jovens grávidas de Serra Leoa puderam voltar à escola desde que, em 2020, suspendeu-se uma medida que as mantinha fora das salas de aula. No entanto, assim como acontece com outras políticas progressistas adotadas pelo presidente Julius Maada Bio, falar é mais fácil que fazer.
De um lado, as outras alunas zombavam impiedosamente de Hawa. Do outro, sua mãe parou de enviar dinheiro. Ela acabou abandonando a escola grávida de seis meses, vendo a prima avançar sozinha nos estudos.
Alguns dos pilares do governo de Bio, que concorre à reeleição nas eleições de sábado, foram a educação das mulheres e seus direitos. Em entrevista à AFP, ele admite que, inicialmente, resistiu em permitir que adolescentes grávidas fossem à escola.
"Fui totalmente contra isso há alguns anos, mas percebi que estava errado", reconheceu.
Segundo o presidente, elas "estão em seus anos de formação e, se as punirmos pelo resto de suas vidas, seremos injustos com elas, seremos injustos com a sociedade".
- Ciclos de pobreza -
A gravidez na adolescência é um fenômeno generalizado em Serra Leoa, embora a falta de dados impeça saber quantas permanecem na escola.
Em 2021, um ano após o fim da proibição, o censo escolar nacional identificou 950 estudantes grávidas no país.
Um estudo desenvolvido em 2019 pelo governo descobriu que 21% das mulheres e meninas de 15 a 19 anos estavam grávidas, ou deram à luz. Com isso, o estudo sugere que milhares de jovens podem ter desistido da escola.
Nadia Rasheed, representante local do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), comentou que manter as meninas na escola é "fundamental para quebrar os ciclos de pobreza e desigualdade em Serra Leoa".
Kadi, de 18 anos, esperava que a educação fosse a chave para um futuro melhor. Ela e sua irmã foram criadas pela avó e sempre estudaram muito. Mas sua avó morreu em um acidente de trânsito e, dois anos depois, sua irmã adoeceu e também faleceu. O namorado dela, um pescador, passou a ajudar nas despesas de seus estudos. Em seus planos, ela estudaria medicina e depois eles se casariam.
Ela engravidou aos 17 anos, no entanto, e não resistiu ao bullying na escola.
Kadi deseja refazer as provas que perdeu no ano letivo em que desistiu, mas teme ter ficado muito para trás.
"As comunidades não vão mudar sozinhas, as escolas não vão mudar sozinhas. Acho que ninguém esperava que fosse um sucesso imediato", disse a pesquisadora Regina Mamidy Yillah.
"Ainda assim, reverter a proibição (...) é realmente um passo gigantesco em direção à igualdade", completou.
- Expectativa vs. Realidade -
Várias políticas progressistas do presidente Bio enfrentam desafios parecidos.
As políticas adotadas são elogiados por organizações ocidentais e por entidades da ONU que operam em Serra Leoa desde a guerra civil de 1991-2002. Na prática, porém, elas entram em conflito com os valores tradicionais, ou não correspondem às expectativas.
O governo de Bio fornece absorventes higiênicos gratuitos para estudantes e investe mais de 20% do orçamento em educação.
Mas muitos reclamam que, apesar da política de educação "gratuita", os alunos devem pagar por alguns livros, transporte, uniformes, sapatos, meias e material escolar.
Famílias ouvidas pela AFP disseram, também, que os alunos são cobrados, informalmente, por muitos professores. Eles pedem sabonete, papel higiênico, material de limpeza e exigem dinheiro — sob ameaça de espancamento.
Os planos para descriminalizar o aborto, celebrados internacionalmente quando anunciados em julho, não avançaram.
Bio assinou uma nova lei de igualdade de gênero em janeiro para aumentar o número de mulheres trabalhando nos setores público e privado.
Embora as pessoas esperassem uma cota de 30% para mulheres legisladoras, esta lei exige apenas que um terço dos candidatos parlamentares sejam mulheres.
A mesma lei diz também que o presidente poderia considerar "a possibilidade" de nomear 30% de mulheres em seu gabinete.
O Institute for Governance Reform (IGR), um grupo de pesquisa, projeta que entre 26% e 30% dos legisladores eleitos no novo parlamento serão mulheres.
Para a AFP, Bio afirma que está empenhado em garantir que pelo menos 30% de seu gabinete seja feminino.
"Algo para pensar é como vamos fazer isso", acrescentou o líder de Serra Leoa.
T.Vitorino--PC