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Kendrick Lamar: o poeta do rap consagrado no Grammy
Pelo segundo ano consecutivo, o rapper Kendrick Lamar arrasou nos prêmios Grammy.
Depois de levar cinco gramofones dourados no ano passado, com seu viral "Not Like Us", o rapper de 38 anos ganhou outros cinco na noite de domingo (1º), incluindo o de Gravação do Ano, ao lado de SZA por "Luther", consolidando-se como um dos compositores mais impactantes dos Estados Unidos.
"Não sou bom falando sobre mim mesmo, mas me expresso através da minha música. É uma honra estar aqui", disse Lamar, ao receber a primeira estatueta da noite de Melhor Álbum de Rap.
O astro, ganhador também do Pulitzer, que no domingo alcançou a marca de 27 estatuetas em seu poder, também conquistou os gramofones de Melhor Performance de Rap, Melhor Canção de Rap e Melhor Performance de Rap Melódico.
O catálogo de Lamar se caracteriza por versos penetrantes nos quais se mostra introspectivo e, ao mesmo tempo, ataca problemas sistêmicos da sociedade americana, como o racismo e a pobreza estrutural.
Nascido em 1987 em Compton, Califórnia, em uma família pobre, seus pais dependiam de ajuda social para sobreviver e, segundo contaria em entrevistas, a violência das ruas fazia parte de seu cotidiano.
Começou a compor canções durante o ensino médio, inspirado nos rappers da costa oeste da época, como Tupac Shakur, Dr Dre e Snoop Dogg, que abraçaram a influência do funk e as letras explícitas.
Após várias colaborações e turnês com outros rappers com o pseudônimo K.Dot, Lamar começou a trabalhar com seu nome e em 2011, lançou seu primeiro álbum, "Section.80".
Mas foi seu segundo trabalho, "Good Kid, M.A.A.D City", que o colocou na cena, graças a suas poderosas canções que falavam de sua vida em Compton, carregadas com componentes social e racial.
Esse álbum alçou Lamar, afirmou Timothy Welbeck, professor de estudos africanos da Universidade Temple, na Filadélfia.
"Ele demonstrou que tinha a habilidade para criar um nível de qualidade que poderia se manter vigente" e de contar histórias de forma atraente, acrescentou Welbeck em entrevista à AFP.
- Pulitzer -
Os álbuns que se seguiram, inclusive "To Pimp a Butterfly", de 2015, mostraram um Lamar com mais afinidade com o som do jazz, com influências de soul e funk.
Também aprofundou-se na escrita, falando da depressão que sofreu após seu primeiro grande sucesso e sua dificuldade de se relacionar com a masculinidade e o abuso sexual no seio de sua família.
Em 2018, tornou-se o primeiro rapper a ganhar o Prêmio Pulitzer para a música o álbum "Damn". O júri elogiou uma "compilação virtuosa de canções (...), que oferece quadros impactantes que capturam a complexidade da vida vida moderna afro-americana".
Depois, veio a canção "Not Like Us".
- 'Super Bowl' -
Lamar a lançou em maio de 2024, em meio a uma longa batalha musical com o rapper canadense Drake.
"Not Like Us" foi a quinta canção de Lamar na qual atacou em seus versos o rapper Drake, que acabara de lançar horas antes seu single, "Meet the Grahams".
A melodia pegajosa e o refrão simples, que funciona quase como um hino, tornaram-se onipresentes, levando os críticos a proclamarem Lamar como o vencedor da disputa entre os músicos, em cujas letras vieram à tona acusações delicadas como abuso doméstico e conduta sexual imprópria.
"Not Like Us" saltou para o topo das paradas e se tornou rapidamente uma bandeira do rap da costa oeste dos Estados Unidos.
No auge de sua glória, ele a interpretou no prestigioso show do intervalo da final da Liga de futebol americano, o 'Super Bowl', do qual foi o astro em 2025, uma apresentação na qual também cantou sucessos como "Humble" e "DNA".
A turnê mundial que realizou naquele ano com a cantora de R&B SZA rendeu mais de 350 milhões de dólares (aproximadamente R$ 1,9 bilhão, na cotação da época), segundo a revista Forbes.
O músico tem dois filhos com sua noiva, Whitney Alford, sua companheira desde o ensino médio.
L.Torres--PC