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Mercenários do Wagner atuam como instrutores em Belarus
Os mercenários da milícia Wagner, que no mês passado protagonizaram uma rebelião frustrada na Rússia, oferecem instrução militar em Belarus, informou, nesta sexta-feira (14), o governo desse país, que apoia a ofensiva militar de Moscou contra a Ucrânia.
Já a Ucrânia admitiu que sua contraofensiva para recuperar territórios conquistados pela Rússia no sul e no leste avança lentamente, em meio a complicadas batalhas.
"Os combatentes da companhia militar privada Wagner atuam como instrutores em várias áreas militares" e treinam "unidades das tropas de defesa territorial" de Belarus, apontou o Ministério da Defesa em Minsk.
Os recrutas aprendem, entre outras coisas, "técnicas de deslocamento no campo de batalha e tiro tático", acrescentou.
Em um vídeo dos exercícios publicados pelo ministério no YouTube, um militar bielorrusso assegura que a experiência é "muito útil" para o exército.
O grupo Wagner, que desempenhou um papel-chave na ofensiva russa na Ucrânia, iniciada em fevereiro de 2022, se rebelou há três semanas contra o Estado Maior do exército regular.
Os milicianos ocuparam um quartel em Rostov-no-Don, no sul da Rússia, e avançaram algumas centenas de quilômetros em direção a Moscou.
O motim terminou horas depois, com um acordo que previa a ida do chefe do grupo, Yevgueni Prigozhin, para Belarus.
O paradeiro de Prigozhin é incerto. O Kremlin reconheceu que o presidente russo, Vladimir Putin, o recebeu no final de junho, poucos dias depois de sua rebelião, em companhia dos principais comandantes do grupo Wagner.
O Departamento de Defesa dos Estados Unidos assegurou, na última quinta-feira, que os mercenários do Wagner não participam mais de forma "significativa" dos combates na Ucrânia.
- Contraofensiva lenta -
A expectativa ucraniana de um enfraquecimento das tropas russas depois da rebelião do Wagner não se confirmou até agora e a contraofensiva ucraniana, lançada em junho, para recuperar territórios do leste e do sul, "atualmente não avança tão rápido", admitiu o chefe do gabinete presidencial ucraniano, Andrii Yermak, referindo-se à intensidade dos combates.
Na última semana, as tropas ucranianas avançaram apenas 1.700 metros no sul, explicou Kiev.
A Ucrânia assegura que os pequenos avanços se devem à lentidão de seus aliados ocidentais na entrega das armas prometidas.
O país também pede mais armas de longo alcance e aviões de combate para enfrentar as tropas russas.
A contraofensiva acontece ao mesmo tempo que os bombardeios russos periódicos contra várias cidades, incluindo a capital, Kiev.
O Exército ucraniano indicou que derrubou 16 dos 17 drones de combate de fabricação iraniana Shahed 136/131 lançados pela Rússia a partir do sudeste.
Apesar da lentidão da contraofensiva, houve alguns avanços no sul e no norte de Bakhmut, que caiu em mãos russas em junho depois de meses de combate nos quais os homens do grupo Wagner tiveram um papel fundamental.
"Bakhmut será nossa", assegurou à AFP Maisk, um operador de drones ucraniano.
Yermak, considerado o principal assessor do presidente Volodimir Zelensky, recordou que a Ucrânia só irá abrir negociações de paz "depois que as tropas russas abandonarem nosso território".
- Ansiedade pelo acordo de cereais -
A falta de sinais para uma saída negociada do conflito se dá a poucos dias da expiração do acordo que permite à Ucrânia exportar cereais pelo Mar Negro.
O pacto, selado entre Kiev e Moscou em julho de 2022 e prolongado diversas vezes, ajudou a amenizar a crise alimentar mundial provocada pelo conflito entre esses dois grandes produtores de matérias-primas e alimentos.
A Rússia ameaça regularmente se retirar desse acordo, que expirará às 18h00 de segunda-feira, no horário de Brasília.
O chefe da diplomacia americana, Antony Blinken, afirmou em uma reunião com seus pares do sudeste asiático na Indonésia que os países em desenvolvimento "pagarão o preço" se a Rússia se negar a prolongá-lo.
O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, que atuou ao lado da ONU como mediador dessas negociações, assegurou que Putin "está de acordo" em assinar uma nova prorrogação do pacto.
R.J.Fidalgo--PC