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Rússia põe fim a acordo de exportação de grãos ucranianos após ataque na Crimeia
A Rússia se negou, nesta segunda-feira (17), a prolongar o acordo de exportação de grãos ucranianos, horas depois que um ataque das forças de Kiev destruiu parcialmente, e pela segunda vez, a ponte estratégica que liga o território russo à península anexada da Crimeia.
"O acordo do Mar Negro terminou de fato hoje", disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, à imprensa.
"Assim que a parte relativa à Rússia [do acordo] for cumprida, a Rússia retornará imediatamente ao acordo de grãos", acrescentou.
O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, declarou que seu país está disposto a manter as exportações de grãos.
"Mesmo sem a Rússia, tudo o que for possível deve ser feito para que possamos usar esse corredor [para exportação] no Mar Negro. Não temos medo", insistiu.
Moscou vinha se queixando há meses que os interesses russos do pacto não estavam sendo respeitados, o que inclui levantar os obstáculos para exportar produtos agrícolas e fertilizantes.
O acordo, que expira à meia-noite de Istambul (18h00 em Brasília), aliviou os temores de uma crise alimentar mundial e permitiu exportar mais de 32 milhões de toneladas de grãos ucranianos.
"A Rússia notificou hoje oficialmente as partes turca e ucraniana, assim como o Secretariado da ONU, de sua objeção à extensão do acordo", assinalou a agência TASS, citando a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Maria Zakharova.
- Explosão em ponte da Crimeia -
A decisão russa ocorreu poucas horas depois que drones navais ucranianos atacaram a ponte no estreito de Kerch, que é essencial para o abastecimento de soldados russos na Ucrânia.
"O ataque de hoje à ponte da Crimeia é uma operação especial da SBU [serviços especiais ucranianos] e da Marinha", disse à AFP uma fonte dos serviços de segurança ucranianos.
As autoridades russas anunciaram que um casal morreu no ataque e sua filha ficou ferida.
A ponte de Kerch já havia sofrido danos em outubro de 2022, em um atentado que Moscou atribuiu à Ucrânia. Kiev, por outro lado, negou sua responsabilidade nesse ataque.
As autoridades locais informaram que o trânsito tinha sido interrompido na ponte e recomendaram aos turistas que permanecessem abrigados. Também pediram aos russos que viajam à península, anexada por Moscou em 2014, que transitem pelos territórios ucranianos ocupados.
Nesta segunda, o presidente russo, Vladimir Putin, pediu um reforço nas medidas de segurança no entorno da ponte e prometeu uma resposta da Rússia ao ataque.
"Tendo em conta que se trata do segundo ato terrorista na ponte da Crimeia, espero propostas concretas para melhorar a segurança desta infraestrutura de transporte importante e estratégica", declarou Putin durante reunião governamental transmitida pela televisão.
"É evidente que haverá uma resposta da Rússia. O Ministério da Defesa prepara propostas adequadas", acrescentou.
- 'Humanidade como refém' -
A decisão russa de não renovar o acordo provocou uma onda de reações internacionais.
É um "ato de crueldade", disse Linda Thomas-Greenfield, embaixadora dos EUA na ONU, que acusou Moscou de manter "a humanidade como refém".
O secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou, por sua vez, que milhões de pessoas vão "pagar o preço" por esta decisão, que segundo ele "afetará as pessoas mais pobres em todo o mundo".
Alemanha e Reino Unido também criticaram Moscou. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, qualificou a decisão de "cínica".
Desde 27 de junho, não está autorizada a participação de novas embarcações para a exportação de grãos, informou em nota o Centro de Coordenação Conjunta (CCC), que supervisiona o acordo.
- Combates violentos -
No campo de batalha, a contraofensiva ucraniana iniciada em junho prossegue.
A vice-ministra da Defesa, Hanna Maliar, anunciou que as tropas ucranianas recuperaram 18 quilômetros quadrados no leste, perto da cidade de Bakhmut, sob controle russo desde maio.
A localidade, que tinha 70.000 habitantes antes da guerra, foi completamente destruída durante a batalha mais longa e violenta desde o início da ofensiva, em fevereiro de 2022.
Nas proximidades de Kupiansk, na província de Kharkiv (nordeste), as forças russas avançam de maneira ativa desde o fim da semana passada", disse Maliar.
Kiev admitiu que a contraofensiva avança de maneira lenta e insiste em que os Estados Unidos e outros países aliados forneçam mais armas de longo alcance.
"As pessoas deveriam entender o preço que pagamos por [avançar]", disse à AFP um comandante no front. "Há muitos inimigos. Precisamos de tempo para reduzi-los", acrescentou.
L.Henrique--PC