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Presidente sul-coreano perde apoio de seu próprio partido em processo de impeachment
O líder do partido governante na Coreia do Sul pediu nesta sexta-feira (6) a "rápida suspensão" do presidente Yoon Suk Yeol por sua tentativa de impor a lei marcial e assegurou que sua permanência no poder é um "grande perigo" para o país.
As declarações impactantes de Han Dong-hoon, líder do Partido do Poder Popular (PPP) de Yoon, deixam o presidente praticamente sozinho na véspera da votação de uma moção de destituição, marcada para sábado na Assembleia Nacional.
Na quinta, Han tinha defendido bloquear o processo de impeachment, e outro responsável do partido conservador chegou a garantir que seus 108 deputados apoiariam Yoon no Parlamento.
Contudo, a recusa de Yoon a reconhecer erros na declaração da lei marcial na terça-feira pela noite e "indícios críveis" de que ele havia ordenado a prisão de importantes políticos durante essas horas provocaram uma mudança de postura no PPP.
"Tendo em conta os novos fatos, acho que é necessária uma rápida suspensão de funções do presidente Yoon Suk Yeol para proteger a República da Coreia e sua população", disse Han.
Yoon não tomou nenhuma ação contra os oficiais do Exército que "intervieram ilegalmente" nem tampouco reconhece que "sua lei marcial ilegal foi um erro".
"Por isso, se o presidente Yoon continuar no cargo de presidente, há risco significativo de que ações extremas similares à emergência atual se repitam, o que colocaria a República da Coreia e seus cidadãos em grande perigo", argumentou.
- Parlamento hostil -
Yoon suspendeu a ordem civil na noite de terça-feira e destacou tropas e helicópteros para o Parlamento onde, em meio a protestos da população, deputados opositores conseguiram entrar para votar contra a lei marcial.
Horas depois, diante da indignação gerada na Coreia do Sul e do espanto de seus aliados internacionais com a surpreendente medida, o presidente recuou e retirou o Exército em um discurso de madrugada.
Acusando Yoon de "violar gravemente a Constituição e a lei", a oposição apresentou a moção de destituição. Mesmo contando com uma ampla maioria na Câmara, ela precisa da defecção de alguns parlamentares do PPP para alcançar o limite de dois terços para que a moção prospere.
Caso o processo siga adiante, Yoon ficará suspenso à espera de um veredicto da Corte Constitucional. Se os juízes também a aprovarem, o presidente será destituído e novas eleições serão realizadas no prazo de 60 dias.
Desde a declaração da lei marcial, milhares de sul-coreanos saíram às ruas em protestos para exigir a saída e até mesmo a prisão de Yoon.
Uma pesquisa publicada nesta quinta pelo instituto Realmeter indica que 73,6% dos entrevistados apoiam a destituição. E outro levantamento divulgado nesta sexta aponta que o índice de aprovação do presidente despencou para 13%.
A.Santos--PC