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Zelensky diz que Ucrânia respeitará trégua pascal de Putin, mas denuncia violações
O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, assegurou, neste sábado (19), que suas tropas vão respeitar o cessar-fogo proposto por seu contraparte russo, Vladimir Putin, por ocasião da Páscoa, uma trégua que representaria a suspensão dos combates mais importante em mais de três anos de conflito.
Putin ordenou o cessar-fogo na Ucrânia até a meia-noite de domingo (18h em Brasília), mas poucas horas depois de a medida entrar em vigor, sirenes antiaéreas soaram na capital ucraniana e no leste do país. Zelensky acusou a Rússia de não suspender sua ofensiva.
Este anúncio ocorre em meio às pressões do presidente americano, Donald Trump, para pôr fim à guerra, iniciada em fevereiro de 2022 com a invasão russa da Ucrânia.
Na sexta-feira, Trump anunciou que irá abandonar as negociações se não houver progressos.
Putin ordenou a suspensão temporária de "todas as ações militares" por motivos "humanitários".
"Hoje, a partir das 18h (12 de Brasília) e até a meia-noite de domingo (18h de Brasília), a parte russa declara uma trégua de Páscoa", disse Putin durante uma reunião com o chefe do Estado-Maior russo, Valeri Guerasimov, transmitida pela televisão.
"Partimos da base de que a parte ucraniana seguirá nosso exemplo, mas nossas tropas devem estar preparadas para resistir a possíveis violações da trégua e provocações por parte do inimigo, assim como ações agressivas", continuou.
Mais tarde, Zelensky informou no X que "se a Rússia está subitamente disposta a se comprometer realmente (...), a Ucrânia agirá de acordo, espelhando as ações da Rússia".
No entanto, o presidente ucraniano acusou Moscou de já ter descumprido sua promessa, enquanto sirenes antiaéreas soavam em Kiev e outras regiões da Ucrânia.
"As operações de ataque russas continuam em vários setores da linha de frente, e os disparos de artilharia russa não foram reduzidos", declarou Zelensky.
O presidente ucraniano assinalou que Putin rejeitou anteriormente uma proposta de cessar-fogo total e incondicional de 30 dias e instou a Rússia a prorrogar a trégua.
"Se realmente houver um cessar-fogo completo, a Ucrânia propõe prorrogá-lo para além do dia de Páscoa, em 20 de abril", declarou.
A Páscoa, uma data muito importante para os cristãos, é comemorada no domingo e este ano coincide com o calendário de católicos romanos e dos ortodoxos.
Outras tentativas de estabelecer uma trégua em datas importantes do calendário cristão, como na Páscoa de 2022 e no Natal ortodoxo de 2023, fracassaram até agora.
- "Nenhuma trégua" -
Depois que Putin anunciou a trégua, o ministro ucraniano das Relações Exteriores, Andrii Sibiga, declarou que a Ucrânia se concentrará "em fatos, não em palavras".
O governador da região de Kherson, no sul da Ucrânia, informou que foram registrados ataques de drones russos após o anúncio do cessar-fogo.
"Por volta das 18h" (12h de Brasília), um bombardeio russo com drones provocou um incêndio em um edifício e mais tarde outros três drones atacaram dois povoados. "Infelizmente, não constatamos nenhuma trégua", afirmou Oleksandr Prokudin.
Na cidade ucraniana de Kramatorsk, perto do front, alguns soldados ucranianos disseram à AFP que não confiam que a Rússia vá respeitar a trégua.
"É impossível acreditar em nenhum tipo de cessar-fogo de parte dessa gente", afirmou Dmitri, um soldado de 40 anos.
Na sexta-feira, a Rússia declarou o fim de uma moratória aos bombardeios contra infraestruturas energéticas na Ucrânia, depois de recriminações das duas partes de descumprimento do acordo.
Putin afirmou que a resposta ucraniana à trégua anunciada no sábado "vai mostrar a sinceridade do regime de Kiev, sua vontade e capacidade de respeitar os acordos, de participar do processo de negociações de paz destinados a eliminar as causas profundas da crise ucraniana".
Por outro lado, Rússia e Ucrânia trocaram, neste sábado, 246 prisioneiros de cada lado e 46 soldados feridos que precisavam de um tratamento de emergência. As trocas de prisioneiros são uma das últimas áreas de cooperação entre os dois países.
H.Portela--PC