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Trump recebe Netanyahu para impulsionar acordo sobre Gaza
O presidente de Estados Unidos, Donald Trump, recebeu nesta segunda-feira (7) Benjamin Netanyahu na Casa Branca para pressionar o primeiro-ministro israelense para que ponha fim à devastadora guerra em Gaza.
A terceira visita de Netanyahu desde a volta de Trump ao poder acontece em um momento crucial, no qual o dirigente americano espera aproveitar o impulso da recente trégua entre Israel e Irã.
"Não acho que haja nenhum obstáculo. Acho que as coisas estão indo muito bem", disse o republicano aos jornalistas no começo do jantar, quando perguntado sobre o que estava impedindo um acordo de paz em Gaza.
Sentado do outro lado de uma longa mesa diante do líder israelense, Trump também expressou sua confiança de que o movimento islamista palestino Hamas está disposto a encerrar o conflito, que entra em seu 22º mês.
"Eles querem se reunir e querem ter esse cessar-fogo", disse o presidente aos repórteres.
A reunião em Washington acontece enquanto Israel e Hamas realizam no Catar o segundo dia de negociações indiretas para alcançar uma trégua para a guerra desencadeada pelo ataque do movimento islamista palestino em 7 de outubro de 2023 ao território israelense.
Netanyahu, por sua vez, disse que havia indicado Trump para o Prêmio Nobel da Paz, um objetivo que o magnata almeja há bastante tempo. O líder israelense lhe entregou uma carta que enviou ao comitê do prestigioso prêmio.
"[Trump] está forjando a paz enquanto falamos, em um país, em uma região após a outra", afirmou Netanyahu.
- 'Não nos importa' -
Mas o líder israelense mostrou-se mais cauteloso sobre a paz com os palestinos e descartou um Estado independente para eles, afirmando que Israel "sempre" manterá o controle de segurança sobre Gaza.
"Agora, as pessoas dirão que não é um Estado completo, não é um Estado. Não nos importa", considerou.
Dezenas de manifestantes compareceram às imediações da Casa Branca enquanto Trump e Netanyahu se reuniam, entoando palavras de ordem que acusavam o primeiro-ministro israelense de "genocídio".
O presidente americano tem apoiado firmemente Netanyahu, um aliado-chave dos Estados Unidos, prestando apoio na recente guerra de Israel com o Irã através do bombardeio das principais instalações nucleares de Teerã.
Mas, ao mesmo tempo, tem pressionado cada vez mais para pôr fim ao que classificou de "inferno" em Gaza. No domingo, Trump afirmou que acreditava que há "boas possibilidades" de alcançar um acordo ainda esta semana.
"A prioridade máxima do presidente neste momento no Oriente Médio é pôr fim à guerra em Gaza e recuperar todos os reféns", declarou a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt.
Das 251 pessoas sequestradas em 7 de outubro de 2023 durante o ataque do Hamas em Israel, 49 continuam em cativeiro em Gaza, mas o Exército israelense acredita que 27 estão mortas.
- 'Sem avanços' -
A última rodada de negociações sobre a guerra em Gaza começou no domingo em Doha, com representantes sentados em diferentes salas do mesmo edifício.
As conversas desta segunda terminaram "sem avanços", informou à AFP um funcionário palestino familiarizado com as negociações. As delegações de Hamas e Israel vão retomar as conversas mais tarde.
Segundo fontes palestinas, a proposta inclui uma trégua de 60 dias, período em que o grupo islamista libertaria dez reféns israelenses vivos e vários corpos de sequestrados, em troca da libertação de prisioneiros palestinos detidos em Israel.
Eles acrescentaram, no entanto, que o Hamas também exige certas condições para a retirada de Israel, garantias contra a retomada dos combates durante as negociações e o retorno do sistema de distribuição de ajuda administrado pela ONU.
Sobre o terreno, a Defesa Civil informou nesta segunda que pelo menos 12 pessoas morreram em ataques de Israel no arrasado território palestino.
As restrições impostas à imprensa em Gaza e as dificuldades de acesso a muitas áreas impedem a verificação de forma independente dos números e dados divulgados pela Defesa Civil.
O ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023 em Israel resultou na morte de 1.219 pessoas, a maioria civis, segundo um levantamento da AFP feito com base em dados oficiais israelenses.
Mais de 57.523 palestinos morreram na ofensiva israelense em Gaza, a maioria civis, segundo o Ministério da Saúde do território governado pelo Hamas, números que a ONU considera confiáveis.
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V.Dantas--PC