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Venezuela alerta EUA sobre plano para plantar explosivos em embaixada americana
A Venezuela advertiu nesta segunda-feira (6) os Estados Unidos sobre um plano de "extremistas" para colocar "explosivos" em sua embaixada em Caracas, em meio à mobilização militar de Washington no Caribe, movimento que o governo do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, classifica como uma ameaça.
O presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, afirmou em comunicado que o governo venezuelano alertou "o governo dos Estados Unidos sobre uma grave ameaça" por três vias diferentes.
Em seu programa semanal de televisão, Maduro afirmou que "um grupo terrorista local" planejava colocar uma carga explosiva para "uma operação de bandeira falsa" com o objetivo de "iniciar uma escalada de enfrentamento".
"Foram duas fontes, uma de caráter nacional e outra de caráter internacional, às quais se deu seguimento e coincidiram com a possibilidade de que um grupo terrorista local plantasse uma carga explosiva na embaixada dos Estados Unidos em Caracas", afirmou. "Era uma ação de provocação", disse o dirigente.
Maduro relatou que Rodríguez informou na tarde desta segunda "oficialmente ao governo dos Estados Unidos" sobre "os responsáveis pela preparação deste ataque terrorista" e indicou que estão à procura de alguns dos responsáveis na Venezuela. Seu governo costuma denunciar complôs vinculados a opositores.
As relações diplomáticas entre Venezuela e Estados Unidos estão rompidas desde janeiro de 2019.
A ruptura ocorreu quando Washington reconheceu o opositor Juan Guaidó como presidente interino, após considerar fraudulenta a primeira reeleição de Maduro em 2018. Desde então, apenas alguns funcionários permanecem na embaixada americana em Caracas.
A segunda reeleição de Maduro, em julho de 2024, tampouco foi reconhecida por Washington.
O chavismo convocou, nesta segunda, uma marcha que se dirigiu até a sede das Nações Unidas para rejeitar a presença americana no Caribe e as acusações de Donald Trump, que vincula Maduro a redes do tráfico de drogas.
"Não somos um narcoestado, somos bolivarianos", dizia um dos cartazes exibidos durante a marcha.
"Queremos dizer ao senhor Trump que retire seus barcos, suas poucas baterias que tem aqui, porque este não é um país narcotraficante, é um país que combate o narcotráfico", disse à AFP Manuel Ladera, trabalhador aeroportuário de 62 anos.
- Mobilização militar -
Durante semanas, circulou nas redes sociais o boato de que a líder da oposição María Corina Machado, na clandestinidade desde as eleições presidenciais de julho de 2024, está refugiada na embaixada dos Estados Unidos.
No entanto, seu paradeiro não foi confirmado pela AFP nem por nenhuma autoridade venezuelana ou americana.
Mesmo assim, o ministro do Interior e Justiça, Diosdado Cabello, insinuou que Corina Machado está escondida nessa sede diplomática.
"Ela está em Valle Arriba, numa casa enorme, que dizem que está vazia, mas não está [...], mas não contem a ninguém, porque é segredo", ironizou Cabello em 17 de setembro. Valle Arriba é uma área nobre de Caracas onde está localizada a embaixada americana.
A oposição liderada por Corina Machado reivindica sua vitória nas eleições presidenciais de 2024.
Os Estados Unidos mobilizaram em agosto oito embarcações e um submarino de propulsão nuclear em águas internacionais do sul do Caribe, em frente ao litoral da Venezuela, com o argumento de combater o "tráfico de drogas".
Na sexta-feira, os Estados Unidos anunciaram o quinto ataque contra uma suposta embarcação de narcotraficantes perto da costa da Venezuela, elevando o saldo de mortos para 21.
Segundo Trump, os ataques foram tão bem-sucedidos que "não há mais botes" nessa área do Caribe.
Enquanto isso, Caracas denuncia um "cerco" e uma "ameaça" para forçar uma "mudança de regime".
Maduro ordenou a mobilização de milhares de soldados nas fronteiras e pediu a civis que se alistassem. Também ordenou exercícios e manobras nos estados litorâneos.
O ministro da Defesa venezuelano, Vladimir Padrino López, disse no sábado que, nos últimos 45 dias, a Venezuela colocou em prática planos de defesa de acordo com "a progressividade da agressão da ameaça militar" dos Estados Unidos.
G.Teles--PC