-
Caso Master, o escândalo financeiro que abala os Três Poderes
-
Senegaleses detidos na Copa Africana de Nações declaram greve de fome
-
Projeto de surfe incentiva que meninas voltem à escola no Senegal
-
Elton John denuncia invasão 'abominável' do Daily Mail a sua vida privada
-
Irã afirma estar 'preparado' para se defender ao iniciar negociações com EUA em Omã
-
Campanha presidencial chega ao fim em Portugal marcada por tempestades
-
Na fronteira da Estônia, Narva vive entre dois mundos e teme se tornar alvo de Putin
-
França e Canadá abrem seus consulados na Groenlândia, em sinal de apoio
-
Queda em desgraça do ex-príncipe Andrew lança dúvidas sobre as finanças da monarquia
-
Japoneses vão às urnas com primeira-ministra apoiada por Trump e em busca da maioria
-
Trump publica vídeo com teoria da conspiração eleitoral que mostra os Obamas como macacos
-
Irã e EUA iniciam negociações sobre a questão nuclear
-
Toyota anuncia novo CEO e eleva previsões de lucros
-
Autoridades identificam sangue na casa da mãe desaparecida de famosa jornalista dos EUA
-
Anthropic lança novo modelo e aumenta rivalidade com OpenAI
-
Trump lança site com seu nome para compra de remédios mais baratos nos EUA
-
Gângster australiano ganha liberdade após escândalo envolvendo advogada informante da polícia
-
França diz que luta contra o Estado Islâmico é 'prioridade absoluta'
-
Venezuela avança em anistia histórica após quase três décadas de chavismo
-
Presidente de Cuba oferece diálogo aos EUA; Washington afirma que conversas já começaram
-
Teerã e Washington se preparam para negociar em Omã após repressão violenta no Irã
-
Strasbourg elimina Monaco (3-1) e vai às quartas de final da Copa da França
-
Argentina assina acordo de comércio e investimento com os EUA
-
Atalanta bate Juventus (3-0) e avança à semifinal da Copa da Itália
-
Atlético de Madrid goleia Betis (5-0) e vai à semifinal da Copa do Rei
-
Wada investigará suposto método usado por saltadores de esqui para obter vantagem com aumento peniano
-
Venezuela avança em anistia histórica de quase três décadas de chavismo
-
Anistia na Venezuela para 'terrorismo', 'traição' e inabilitados: destaques do projeto de lei
-
Argentina assina acordo de comércio e investimento com EUA
-
Astros do Super Bowl entram na disputa por vaga na estreia do flag football nos Jogos Olímpicos
-
Trump pede tratado nuclear novo e 'modernizado' entre EUA e Rússia
-
Milhares são evacuados por chuvas em Espanha e Portugal, que confirma 2º turno presidencial
-
Chama olímpica chega a Milão a um dia da abertura dos Jogos de Inverno
-
Treinar o próprio filho: a mais nova excentricidade de 'Loco' Abreu no futebol mexicano
-
Cineasta teme que interesses do povo iraniano sejam sacrificados nas conversas com EUA
-
Prefeito de Nova York nomeia liberal à frente de escritório contra antissemitismo
-
Presidente eleito do Chile cita inspiração em políticas da Itália e Hungria
-
Rodrygo é suspenso por 2 jogos a vai desfalcar Real Madrid na Champions
-
Brasileiro bate recorde mundial ao correr 188 km em esteira por 24 horas
-
Panamá diz que não 'vai se deixar ameaçar' em meio à tensão com a China
-
João Fonseca espera superar decepção do Aberto da Austrália no ATP de Buenos Aires e no Rio Open
-
Separatista catalão Puigdemont tem vitória simbólica na justiça europeia
-
Vasco chega a acordo com Nottingham Forest para repatriar Cuiabano
-
Libertados 89 cristãos sequestrados após ataque a igrejas na Nigéria
-
Andrea Gaudenzi é reeleito para terceiro mandato como presidente da ATP
-
Clubes gastaram quase R$ 10 bilhões na janela de transferências de janeiro
-
Fórum de Davos investiga vínculos de seu CEO com Epstein
-
Para Trump, líderes latino-americanos são 'astutos' por mandar 'gente ruim' aos EUA
-
Trump ataca sistema eleitoral antes das eleições legislativas de meio de mandato
-
Favorito às presidenciais da Colômbia sofre revés nas primárias
'Como tráfico de pessoas': a odisseia de um cubano deportado pelos EUA para um remoto país africano
A família do cubano Roberto Mosquera não tinha notícias de seu paradeiro desde que ele foi preso por agentes de imigração nos Estados Unidos, até que uma publicação do governo Trump nas redes sociais revelou que ele havia sido deportado para o remoto reino africano de Eswatini.
Agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) detiveram o homem de 58 anos em um posto de controle em 13 de junho em Miramar, Flórida, disse Ada, uma amiga próxima da família que falou à AFP sob um pseudônimo por medo de retaliação.
As autoridades informaram à família que Mosquera havia sido deportado para sua Cuba natal, de onde ele partiu quando tinha 13 anos.
Mas em 16 de julho, Ada reconheceu seu amigo de longa data em uma foto publicada no X pela vice-secretária do Departamento de Segurança Nacional (DHS), Tricia McLaughlin, que anunciou que Mosquera e outros quatro detidos haviam sido transferidos para Eswatini.
Ada nunca tinha ouvido falar deste pequeno país sem litoral no sul da África, situado entre a África do Sul e Moçambique e governado desde 1986 pelo rei Mswati III, acusado por seus críticos de repressão.
O cubano foi enviado para lá juntamente com cidadãos da Jamaica, Laos, Vietnã e Iêmen, segundo um acordo ao qual a AFP teve acesso, que estipula que Eswatini concordou em receber 160 deportados em troca de 5,1 milhões de dólares (R$ 27,7 milhões na cotação atual) para desenvolver "sua capacidade de gestão de fronteiras e imigração".
Orville Etoria, um migrante originário da Jamaica, foi repatriado daquele reino africano para seu país em setembro, mas em 6 de outubro Eswatini recebeu mais dez expulsos, informou seu governo.
O governo Trump afirma que os estrangeiros enviados para lá são "criminosos" condenados por acusações que variam de estupro de crianças a assassinato.
Mas seus advogados e familiares garantem à AFP que todos eles já cumpriram suas penas e viviam em liberdade nos Estados Unidos há anos.
Em Eswatini, os migrantes foram encarcerados em uma prisão de segurança máxima e só podem falar com suas famílias em curtas videochamadas sob o olhar atento de guardas armados, garantem suas equipes jurídicas à AFP.
Esses homens estão em um "buraco negro legal", diz o advogado Tin Thanh Nguyen, que vive nos Estados Unidos.
– Não é um "monstro" –
"É como um pesadelo", diz Ada, que conhece Mosquera desde a infância.
A publicação de McLaughlin no X descreve o cubano e os outros quatro deportados como indivíduos de uma "barbárie" singular, pela qual seus próprios países se recusaram a recebê-los.
Na foto, Mosquera ostenta uma espessa barba branca, com tatuagens aparecendo através da camisa laranja. Ele é descrito como um membro da gangue Latin King, condenado por "homicídio em primeiro grau".
Sua amiga Ada, contactada pela AFP por meio de seu advogado, diz que ele "não é o monstro nem o prisioneiro bestial que dizem".
Embora ela enfatize que Mosquera só foi membro de uma gangue na juventude, ele foi condenado por tentativa de homicídio em julho de 1989 por atirar na perna de um homem.
Documentos judiciais vistos pela AFP indicam que ele foi condenado a nove anos de prisão, libertado em 1996 e preso novamente em 2009 por crimes como roubo de carro e agressão a um agente de segurança.
"Quando Roberto foi embora, sua vida mudou", diz Ada. "Ele se casou, teve quatro filhas lindas. Ele se manifestou contra a violência de gangues e tem uma família que o adora".
Um juiz ordenou sua deportação depois que sua primeira condenação revogou sua autorização de residência, mas ele permaneceu nos Estados Unidos porque Cuba não aceita deportados, dizem seus advogados.
Ele se apresentava às autoridades de imigração todos os anos e trabalhava para uma empresa de encanamento há 13 anos quando foi detido e deportado, conta Ada à AFP.
– "É atroz" –
O envio desses homens para Eswatini faz parte da campanha de Trump para expulsar imigrantes em situação irregular para "terceiros países".
Outros estrangeiros foram levados para a África, para países como Gana, Ruanda e Sudão do Sul, em acordos pouco claros que foram criticados por grupos de direitos humanos.
O advogado de um deles disse à AFP que eles só foram informados de que seriam deportados quando estavam a bordo do avião.
"É como um tráfico de pessoas moderno, usando canais oficiais", disse Nguyen, que representa migrantes do Vietnã e do Laos.
Os deportados tiveram contato negado com seus advogados e também com um advogado local, que tentou visitá-los no Centro Correcional de Matsapha, 30 quilômetros ao sul da capital, Mbabane, conhecido por abrigar presos políticos.
O advogado Sibusiso Nhlabatsi afirma que agentes penitenciários lhe disseram que os homens se recusaram a vê-lo.
"Sabemos com certeza que isso não é verdade", afirma Alma David, advogada americana de Mosquera e de outro deportado do Iêmen.
Seus clientes disseram às famílias que nunca foram informados das visitas de Nhlabatsi e que buscaram assessoramento jurídico em diversas ocasiões.
Na semana passada, Nhlabatsi obteve um pedido judicial para representar os homens, mas o governo recorreu imediatamente, o que teve um efeito suspensivo.
Eswatini, sob o governo de Mswati há 39 anos, afirmou que pretende devolver todos os deportados aos seus países de origem.
Mas até agora, apenas um foi repatriado: o jamaicano Etoria, que "ainda está se adaptando à vida em um país onde não vive há 50 anos", disse sua advogada em Nova York, Mia Unger, à AFP.
No caso do cubano Mosquera, a última vez que sua família o viu, em uma videochamada da prisão no país africano na semana passada, ele havia perdido cabelo e "emagreceu muito", diz Ada.
"Isso afetou a todos nós", diz ela, com a voz embargada. "É atroz. É uma sentença de morte."
V.F.Barreira--PC