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Macron pede ação da China sobre a guerra na Ucrânia e contra os desequilíbrios comerciais
O presidente da França, Emmanuel Macron, fez um apelo nesta quinta-feira (4) a seu homólogo da China, Xi Jinping, para que ajude a acabar com a guerra na Ucrânia e a corrigir os desequilíbrios comerciais, embora seu anfitrião tenha rejeitado qualquer responsabilidade no conflito entre Kiev e Moscou.
O presidente chinês expressou durante o encontro em Pequim seu desejo de que as relações econômicas bilaterais se desenvolvam de maneira "equilibrada" e, com reservas, sua vontade de paz na Ucrânia.
"A China apoia todos os esforços pela paz e continuará desempenhando um papel construtivo para encontrar uma solução para a crise", afirmou Xi.
"Ao mesmo tempo, opõe-se de modo veemente a qualquer tentativa irresponsável de culpar ou difamar alguém", acrescentou, apesar de Macron não ter expressado publicamente nenhuma queixa.
Em uma entrevista coletiva conjunta, o presidente francês disse ter "conversado longa e profundamente" com o homólogo chinês sobre a situação na Ucrânia, "uma ameaça vital para a segurança europeia".
"Espero que a China se una ao nosso apelo e aos nossos esforços para alcançar, no mínimo, um cessar-fogo o mais rápido possível", afirmou.
Macron já havia qualificado a cooperação com a China como "decisiva" para o conflito russo-ucraniano, que começou em fevereiro de 2022.
Ele reconheceu de maneira genérica que existem "divergências" entre os países, mas disse que tem a "responsabilidade de superá-las, de encontrar mecanismos de cooperação e de resolução de conflitos para alcançar um multilateralismo eficaz no qual acreditamos".
O presidente chinês, acompanhado de sua esposa Peng Liyuan, recebeu Macron e a primeira-dama francesa, Brigitte Macron, no monumental Grande Salão do Povo, cenário dos congressos do Partido Comunista Chinês.
Os presidentes ouviram os hinos nacionais e passaram a guarda em revista, antes de uma saudação de um grupo de crianças.
- Contratos -
O chefe de Estado francês chegou a Pequim na quarta-feira à noite, acompanhado por 35 executivos de grandes empresas, como Airbus, EDF e Danone, além de representantes de outros grupos, que vão do setor de luxo até o agroalimentar.
Nesta quinta-feira, ele acompanhou a assinatura de vários contratos.
Esta é a quarta visita de Estado de Macron à China desde que foi eleito presidente em 2017. Xi Jinping foi recebido na França com honras em fevereiro de 2022.
Como parceiro econômico e político fundamental da Rússia, o governo da China é o maior comprador mundial de hidrocarbonetos russos, incluindo produtos petrolíferos, o que alimenta a máquina de guerra. Os europeus também acusam Pequim de fornecer componentes militares a Moscou.
A China nunca condenou a invasão russa da Ucrânia.
- Diplomacia dos pandas -
Os desequilíbrios comerciais constituem outro importante motivo de controvérsia, já que as práticas comerciais chinesas são consideradas desleais, dos automóveis elétricos ao aço.
A relação entre China e União Europeia é caracterizada por um enorme déficit comercial (357,1 bilhões de dólares) desfavorável para a UE.
Macron parece ter sido ouvido em seu apelo por investimentos entre os países, com uma troca de tecnologias comparável à realizada pelos europeus e que contribuiu para o avanço econômico de Pequim, sinônimo de criação de empregos e valor agregado.
Nesse sentido, os países assinaram uma carta de intenções. "As partes se comprometeram a promover o desenvolvimento equilibrado das relações econômicas e comerciais bilaterais, a aumentar os investimentos recíprocos e a oferecer um ambiente comercial justo", afirmou Xi, cujo país travou em 2025 uma intensa guerra comercial com os Estados Unidos.
Assim como na França em 2024, os dois casais presidenciais se reunirão na sexta-feira em um ambiente mais informal em Chengdu (sudoeste), para onde foram devolvidos recentemente dois pandas que haviam sido emprestados à França em 2012, como parte da "diplomacia dos pandas".
Os dois países assinaram um acordo sobre o tema, mas os termos não foram revelados.
H.Silva--PC