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Delegações de EUA e Ucrânia terão 3º dia de conversas no sábado em Miami
Os negociadores da Ucrânia e os enviados do presidente americano, Donald Trump, terão, neste sábado (6), uma terceira jornada de conversas em Miami, anunciaram em comunicado, no qual destacaram que o avanço para um acordo de paz depende da Rússia.
Há semanas, os Estados Unidos vêm tentando fazer com que Kiev e Moscou aceitem um plano elaborado por Washington para acabar com as hostilidades. O primeiro esboço foi ajustado após ser criticado por ser considerado muito favorável à Rússia.
"Ambas as partes coincidimos em que um avanço real para um acordo depende de que a Rússia mostre um compromisso sério com uma paz duradoura, incluindo passos para uma desescalada e o cessar da matança", declararam em uma mensagem publicada na rede social X pelo enviado Steve Witkoff nesta sexta-feira (5).
No comunicado, o Departamento de Estado detalha que os participantes definiram "a estrutura dos acordos de segurança [...] e as capacidades de dissuasão necessárias para manter uma paz duradoura".
As delegações se reunirão no sábado para "seguir avançando nas conversas" sobre o plano americano para pôr fim à guerra com a Rússia.
Do lado americano, o enviado de Trump, Steve Witkoff, e o genro do presidente, Jared Kushner, participam das negociações nos arredores de Miami. Pela parte ucraniana, trata-se do negociador Rustem Umerov e do general Andrii Hnatov.
Desde a apresentação do plano americano há quase três semanas, vários ciclos de diálogo foram organizados com os ucranianos em Genebra (Suíça) e na Flórida, com o objetivo de ajustar o texto às exigências de Kiev.
Poucos detalhes do plano ajustado foram divulgados, mas, para Kiev, a primeira versão era muito favorável à Rússia.
O documento também foi apresentado na terça-feira durante uma reunião dos enviados americanos com o presidente russo Vladimir Putin em Moscou.
- 'Diálogo amistoso' -
Em seu comunicado, o Departamento de Estado detalha que os participantes "discutiram os resultados" da reunião em Moscou e que Umerov reafirmou que a prioridade da Ucrânia era chegar a um acordo "que proteja sua independência e soberania".
Após a reunião na capital russa, o Kremlin assegurou que alguns avanços foram obtidos, mas que ainda havia "muito trabalho" a fazer para se chegar a uma solução do conflito iniciado em fevereiro de 2022.
O assessor diplomático do Kremlin, Yuri Ushakov, afirmou nesta sexta-feira que as conversas desta semana em Moscou se desenvolveram em um ambiente cordial e exaltou a presença do genro de Trump.
Putin e Witkoff mantiveram um "diálogo realmente amistoso e se entendem bem", declarou Ushakov à televisão estatal russa, e acrescentou que a presença de Kushner é muito "útil".
A intensa atividade diplomática, no entanto, não conseguiu conter os combates. A Força Aérea ucraniana informou que a Rússia lançou 137 drones contra o território ucraniano durante a noite, dos quais 80 foram derrubados.
Várias regiões ainda enfrentam cortes de luz após bombardeios russos a instalações energéticas nas últimas semanas, segundo o Ministério da Energia ucraniano.
Mykhailo Podoliyak, assessor da Presidência ucraniana, afirmou no X que, embora "o processo diplomático esteja atualmente sendo conduzido nos bastidores, [...] as posições estão claras".
"A Ucrânia quer o fim da guerra e está disposta a dialogar", afirmou.
F.Moura--PC