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China e Canadá selam acordo de parceria após anos de tensões
O presidente chinês, Xi Jinping, e o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, assinaram, nesta sexta-feira (16), um acordo de parceria estratégica com implicações para o comércio e o turismo, após anos de desconfiança mútua.
Carney saudou o acordo como "histórico" dentro da estrutura de uma "nova parceria estratégica" com a China, que põe fim a anos de disputas diplomáticas acirradas, detenções recíprocas de cidadãos e conflitos tarifários.
"China e Canadá chegaram a um acordo comercial preliminar, mas histórico, para eliminar barreiras comerciais e reduzir tarifas", disse Carney em uma coletiva de imprensa em Pequim, após se reunir com Xi.
Segundo o acordo, o Canadá permitirá a entrada de 49.000 veículos elétricos fabricados na China com taxas preferenciais de 6,1%.
A China, por sua vez, reduzirá as tarifas sobre produtos derivados de canola de 84% para cerca de 15% a partir de 1º de março e também permitirá a entrada de visitantes canadenses no país sem visto.
"Estou extremamente satisfeito por estarmos avançando com nossa nova parceria estratégica", disse o premier canadense.
Xi Jinping observou que as relações entre China e Canadá tiveram uma reviravolta em seu último encontro, realizado à margem da cúpula da Apec em outubro.
"Pode-se dizer que nossa reunião no ano passado abriu um novo capítulo na condução das relações entre China e Canadá rumo à melhoria", afirmou.
"O desenvolvimento saudável e estável das relações entre China e Canadá beneficia os interesses comuns de nossos dois países", declarou, acrescentando que ficou "satisfeito" em ver as conversas dos últimos meses voltadas para restaurar a cooperação.
As relações entre os dois países se deterioraram em 2018, quando o Canadá prendeu a filha do fundador da gigante de tecnologia Huawei a pedido dos Estados Unidos, e a China respondeu prendendo dois canadenses acusados de espionagem.
Nos anos seguintes, ambos os países impuseram tarifas recíprocas sobre as exportações um do outro.
No entanto, as pressões tarifárias do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o Canadá e Pequim levaram os dois países a deixarem de lado suas diferenças e iniciarem uma aproximação.
Em 2024, os Estados Unidos compraram aproximadamente 75% das exportações canadenses, enquanto a China era o segundo maior mercado, mas com uma participação de apenas 4%, segundo as estatísticas oficiais do Canadá.
A viagem de Carney marcou a primeira visita de um chefe de governo canadense à capital chinesa em oito anos.
E.Paulino--PC