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Governo da Síria anuncia nova trégua de 4 dias com as forças curdas
O governo sírio estabeleceu nesta terça-feira (20) um novo cessar-fogo com as Forças Democráticas Sírias (FDS), lideradas pela minoria curda e apoiadas durante anos pelos Estados Unidos por seu papel na luta contra os jihadistas do Estado Islâmico.
O anúncio acontece depois que o Exército enviou reforços ao bastião curdo na província de Hasakah, no nordeste do país.
O presidente interino da Síria, Ahmed al Sharaa, busca impor sua autoridade em todo o território após a destituição do ex-presidente Bashar al Assad no fim de 2024.
Nesse contexto, Al Sharaa e o líder das FDS, Mazloum Abdi, anunciaram um acordo no domingo para integrar as instituições civis e militares curdas ao Estado sírio.
Mas as negociações para concluir o pacto fracassaram, indicou à AFP um responsável curdo, Abdel Karim Omar.
O acordo representa um duro golpe para esta minoria distribuída entre vários países, e que estabeleceu uma região autônoma no norte e nordeste da Síria durante a guerra civil (2011-2024).
A trégua desta terça abre agora o caminho para novas conversas entre Al Sharaa e as FDS.
As forças curdas conquistaram partes do norte e do leste da Síria lutando contra o grupo Estado Islâmico, que foi derrotado na Síria em 2019 com o apoio de uma coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos.
Washington apoiou durante anos as FDS, mas agora respalda as autoridades de Damasco.
- Sem apoio de Washington -
Nesse contexto, o enviado americano para a Síria, Tom Barrack, declarou que as forças curdas já não tinham razão de existir.
"A missão inicial das FDS como principal força contra o Estado Islâmico no terreno foi concluída em grande medida, já que Damasco está agora pronto para assumir o bastão em matéria de segurança, particularmente para controlar os centros de detenção do Estado Islâmico", escreveu ele na rede social X.
O presidente americano Donald Trump respaldou nesta terça seu homólogo sírio, um ex-jihadista, e disse que era um "cara forte" e "durão". Os dois dirigentes conversaram por telefone na segunda-feira sobre uma forma de garantir os direitos dos curdos.
A Presidência síria anunciou nesta terça um "entendimento" sobre o destino das áreas de maioria curda da província de Hasakah, e concedeu aos curdos "quatro dias para realizar consultas com o objetivo de elaborar um plano detalhado" para a integração da região ao Estado.
Se houver um acordo definitivo, as forças governamentais "não vão entrar nos centros urbanos de Hasakah e Qamishli [...] nem nos povoados curdos", detalhou.
As FDS se comprometeram a respeitar a trégua e disseram que não iniciariam "nenhuma ação militar se nossas forças não forem alvo de ataques".
Em um comunicado, afirmaram estar prontas para "avançar na implementação" do acordo de domingo.
- Acampamento de Al Hol -
Na cidade de Hasakah, um correspondente da AFP observou nesta terça moradores portando armas, incluindo mulheres e idosos, em apoio às FDS, que patrulhavam e vigiavam os postos de controle.
"Prometemos ao nosso povo que vamos protegê-lo até o fim", declarou Shahine Baz à AFP.
Em Qamishli, Hasina Hammo, de 55 anos, exibiu seu fuzil Kalashnikov e declarou: "Não vamos nos render."
As forças curdas se retiraram das províncias de Raqqa e Deir Ezzor, de maioria árabe, após uma escalada militar do governo que começou em Aleppo, no início de janeiro.
As forças curdas também anunciaram nesta terça que "foram obrigadas a se retirar" do acampamento de Al Hol, que abriga famílias de jihadistas do Estado Islâmico, para defender suas regiões ameaçadas pelo Exército sírio.
Os acampamentos e prisões administradas pelos curdos no nordeste da Síria abrigam dezenas de milhares de pessoas, muitas delas com supostos ou alegados vínculos com o Estado Islâmico, quase sete anos depois da derrota territorial do grupo.
Al Hol é o maior acampamento e o Ministério da Defesa sírio disse que estava disposto a assumir o seu controle e o "de todos os prisioneiros do Estado Islâmico".
Os curdos são uma nação sem Estado próprio, distribuídos por Síria, Turquia, Iraque e Irã. Na segunda-feira, as FDS instaram os curdos dentro e fora da Síria a "se juntar às fileiras da resistência".
A.P.Maia--PC