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Senado dos EUA aprova projeto de lei que deve encurtar 'shutdown'
Os senadores dos Estados Unidos aprovaram nesta sexta-feira (30) um projeto de lei orçamentária respaldado pelo presidente Donald Trump, que, embora não impeça uma paralisação da administração federal à meia-noite, deverá permitir que esta seja de curta duração.
Mesmo com esta votação, o fechamento parcial conhecido como "shutdown" entrará em vigor à meia-noite deste sexta-feira (2h da manhã de sábado em Brasília), porque a Câmara dos Representantes está fora de sessão até a segunda-feira, o que torna inevitável uma interrupção do financiamento do governo.
Passada a meia-noite, vários departamentos ficarão sem financiamento e deverão suspender parte de seus funcionários, como ocorreu durante o bloqueio entre outubro e novembro de 2025.
Em protesto pelas operações anti-imigração do governo Trump após a morte de ativistas em Minneapolis, os democratas se negavam a adotar o novo orçamento proposto para o Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês), exigindo mudanças no Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE), que consideram fora de controle.
Segundo o acordo negociado entre a Casa Branca e os líderes democratas do Senado, os legisladores aprovaram cinco projetos de lei de financiamento pendentes para financiar a maior parte do governo federal até o final do ano fiscal, em setembro.
O financiamento para o DHS, por sua vez, foi separado e prorrogado por apenas duas semanas por meio de uma medida provisória, com o objetivo de dar tempo aos legisladores para negociar mudanças nas operações do departamento.
Trump respaldou publicamente o acordo e instou os legisladores de ambos os partidos a o apoiarem, ressaltando o seu desejo de evitar um segundo fechamento em seu segundo mandato, como ocorreu entre outubro e novembro do ano passado.
"A única coisa que pode desacelerar o nosso país é outra paralisação longa e desastrosa do governo federal", declarou o republicano em sua plataforma Truth Social.
Alguns democratas e analistas políticos interpretaram a flexibilidade da Casa Branca como um reconhecimento de que precisava moderar seu enfoque de deportação após as mortes em Minneapolis pelas mãos de agentes federais.
- 'Frear o ICE' -
Na semana passada, o texto parecia seguir para a aprovação antes da data limite de 31 de janeiro, mas os acontecimentos de sábado passado em Minneapolis modificaram o contexto político.
A morte de Alex Pretti, bem como a de Renee Good dias antes, por disparos de agentes federais nesta cidade do norte dos Estados Unidos, provocou um movimento de indignação no seio da classe política.
O líder da minoria democrata no Senado, Chuck Schumer, enumerou nesta sexta as demandas democratas, afirmando querer "frear o ICE e pôr fim à violência".
Para isso, o legislador exigiu medidas como, por exemplo, proibir o uso de balaclavas pelos agentes. "Chega de polícia secreta", afirmou.
Embora o 'shutdown' seja inevitável na noite desta sexta, é provável que não se repita o que ocorreu no ano passado, quando os Estados Unidos vivenciaram o fechamento governamental mais longo de sua história.
Republicanos e democratas batalharam durante 43 dias por disputas sobre os subsídios aos seguros de saúde.
Centenas de milhares de funcionários foram então colocados em licença temporária, enquanto outros com funções consideradas essenciais tiveram que seguir trabalhando. Mas todos tiveram que esperar até o fim do 'shutdown' para receber seus salários.
M.Gameiro--PC