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Trump diz que Irã concordou em entregar suas reservas de urânio enriquecido
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (16) que o Irã aceitou entregar suas reservas de urânio enriquecido e que ambas as partes estão "perto" de alcançar um acordo de paz que ponha fim a seis semanas de conflito no Oriente Médio.
Em outra frente do conflito, Trump anunciou que Israel e Líbano concordaram com um cessar-fogo de 10 dias a partir das 21h00 (18h00 de Brasília) desta quinta-feira e disse que convidou à Casa Branca o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o presidente libanês, Joseph Aoun.
Posteriormente, o presidente americano anunciou que o encontro ocorrerá nos próximos "quatro ou cinco dias".
Por sua vez, o deputado do Hezbollah Ibrahim al Musawi declarou à AFP que seu grupo respeitará o cessar-fogo se Israel deixar de atacar o movimento xiita, aliado do Irã.
"Nós, no Hezbollah, aderiremos cautelosamente ao cessar-fogo, desde que haja uma interrupção total das hostilidades contra nós", disse o parlamentar.
"Agradecemos ao Irã por ter pressionado o Líbano a nosso favor", afirmou o deputado depois que seu correligionário Hussein Hajj Hassan disse mais cedo que a decisão do governo libanês de iniciar negociações diretas com Israel é um "grave erro".
O primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, afirmou que "acolhe com satisfação" o anúncio sobre um cessar-fogo, depois que nesta semana representantes do Líbano e de Israel se reuniram em Washington nas primeiras conversas diretas de alto nível em décadas entre os dois países.
O Departamento de Estado afirmou que, no acordo para um cessar-fogo, o Líbano se comprometeu a interromper os ataques do Hezbollah.
Esse avanço coincide com os esforços de mediação do Paquistão entre Irã e Estados Unidos para alcançar um segundo ciclo de diálogos, após as conversas do fim de semana passado em Islamabad, que terminaram sem acordo.
O embaixador do Irã na ONU, Amir Saeid Iravani, expressou que está "cautelosamente otimista" em relação às negociações com os Estados Unidos.
O conflito no Oriente Médio, que começou em 28 de fevereiro com bombardeios dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, deixou milhares de mortos, sobretudo no Irã e no Líbano, e abalou a economia mundial.
Com a mediação do Paquistão, Estados Unidos e Irã acordaram uma trégua que entrou em vigor em 8 de abril e expira na próxima semana.
O influente chefe do Exército do Paquistão, Asim Munir, está no Irã e se reuniu nesta quinta-feira com o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, principal negociador do país, que perdeu vários dirigentes na guerra, começando pelo líder supremo Ali Khamenei, no primeiro dia do conflito.
- "Uma encruzilhada histórica" -
Paralelamente à diplomacia, o chefe do Pentágono, Pete Hegseth, havia ameaçado o Irã com bombardeios caso "tome uma má decisão" e prometeu manter bloqueados os portos iranianos "pelo tempo que for necessário".
Depois, Trump declarou a repórteres na Casa Branca que o Irã concordou em entregar suas reservas de urânio enriquecido.
"Eles aceitaram nos devolver o 'pó' nuclear", disse Trump a jornalistas na Casa Branca, em referência ao urânio enriquecido que, segundo os Estados Unidos, poderia ser usado para fabricar armas nucleares.
O Irã sustenta que seu programa atômico tem fins civis e, na quarta-feira, a chancelaria reiterou que ninguém pode "tirar" do país seu direito de usar a energia nuclear de forma pacífica, mas destacou que o nível de enriquecimento de urânio é "negociável".
Israel também aumentou a pressão e o ministro da Defesa, Israel Katz, declarou que, se o Irã rejeitar uma proposta de Washington para renunciar ao "armamento nuclear", seu país lançará ataques "ainda mais dolorosos".
"O Irã está em uma encruzilhada histórica: um caminho consiste em renunciar ao terrorismo e ao armamento nuclear, em conformidade com a proposta americana; o outro leva a um abismo", afirmou o ministro durante uma cerimônia.
"Se o regime iraniano escolher a segunda opção", descobrirá muito rapidamente que Israel pode bombardear alvos "ainda mais dolorosos" do que os que já atingiu, acrescentou.
- Pressão sobre o petróleo -
Por enquanto, o Irã mantém fechado o Estreito de Ormuz, uma via crucial para o transporte de hidrocarbonetos, e Washington impôs desde segunda-feira um bloqueio a navios que vêm de ou se dirigem a portos iranianos.
Além disso, o Irã ameaçou também bloquear o mar Vermelho, mas insistiu em sua disposição para negociar.
A disputa pelo tráfego marítimo nessa região, onde se concentram os grandes exportadores de petróleo do Golfo, mantém elevados os preços do petróleo, e o barril de Brent do mar do Norte subiu 4,7%, para 99,39 dólares, nesta quinta-feira.
De qualquer forma, por enquanto não foi fixada "nenhuma data" para uma segunda rodada de negociações, disse à imprensa o porta-voz da chancelaria paquistanesa.
burs-ec/dcp/mvl/mas/hgs/an/mvv/aa/am
L.E.Campos--PC