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Starmer, o político que quis transformar o Reino Unido e perdeu o apoio do partido
Keir Starmer, o advogado que mudou o rumo do Partido Trabalhista para aproximá-lo de posições mais ao centro, também queria transformar o Reino Unido, mas deixa o cargo após menos de dois anos como primeiro-ministro britânico, vencido pelas críticas.
Algumas pesquisas o apontavam como o primeiro-ministro britânico mais impopular em décadas, em um contexto de economia estagnada e aumento do custo de vida.
Com semblante fechado, o líder anunciou sua renúncia nesta segunda-feira (22) diante do número 10 de Downing Street, admitindo que deveria sair "com disposição e elegância".
Starmer, de 63 anos, renunciou como líder trabalhista, mas seguirá no cargo até o congresso de seu partido em setembro. O favorito para substituí-lo é Andy Burnham, da ala esquerda dos trabalhistas e até agora prefeito da Grande Manchester.
Em uma incomum demonstração de emoção, Starmer pareceu conter as lágrimas nesta segunda-feira, enquanto prestava homenagem à família, antes de se afastar para abraçar a esposa.
- Vitória nas eleições -
Tudo parecia cor de rosa para o sétimo primeiro-ministro britânico de sua formação política, depois de pôr fim, em 4 de julho de 2024, a 14 anos de governos conservadores.
"O trabalho pela mudança começa imediatamente. Não tenham nenhuma dúvida: vamos reconstruir o Reino Unido", declarou em seu primeiro discurso ao chegar ao poder.
Suas medidas econômicas e sociais não tiveram grande impacto na população britânica, e as pesquisas constantes o deixavam em má posição, colocando claramente em primeiro lugar o partido anti-imigração Reform UK, de Nigel Farage.
No fim, não foi Farage quem o tirou do cargo, mas as rebeliões dentro do seu próprio partido. Logo no início, teve contra si a ala esquerda de seus deputados, devido a medidas consideradas antissociais, sobre as quais teve de recuar parcialmente.
Essa ala esquerda também se voltou contra ele após o endurecimento da política migratória que promoveu para tentar conter a ascensão do Reform UK.
Ele também não escapou dos escândalos em seu governo, com demissões em seu partido, como a da número dois da legenda, Angela Rayner, em setembro de 2025, por não pagar impostos imobiliários.
Uma decisão tomada poucos meses após chegar ao poder também o prejudicou. Em dezembro de 2024, nomeou Peter Mandelson embaixador britânico nos Estados Unidos, apesar de seus vínculos com o criminoso sexual Jeffrey Epstein, que morreu na prisão em 2019.
- Trabalhista desde o berço -
Starmer, trabalhista desde o berço, herdou seu primeiro nome de Keir Hardie, fundador e primeiro líder do partido no início do século XX.
Assumiu a liderança do partido há seis anos, em abril de 2020, sucedendo Jeremy Corbyn, defensor de uma ideologia mais à esquerda, após um duro revés trabalhista nas eleições legislativas de 2019.
Starmer estreou no Parlamento eleito pelo bairro londrino de Holborn and St Pancras em 2015, aos 52 anos. Nesta idade, o antigo líder trabalhista Tony Blair deixou de ser chefe do partido.
Sua ambição de voar alto ficou clara desde o início, quando lhe perguntaram como gostaria de ser lembrado. "Como alguém que conseguiu um governo trabalhista ousado e reformista. Como um grande pai e amigo", resumiu na entrevista.
Nascido no bairro de Southwark, no sul de Londres, estudou Direito na Universidade de Leeds e continuou sua formação em Oxford.
Advogado de grande reputação, conheceu sua esposa Victoria, com quem tem dois filhos, através do trabalho, já que ela também atua na área jurídica.
Seu sobrenome tem origem no nome de uma pessoa cuja personalidade ou aparência remete a uma estrela (Star em inglês). Mas sua estrela foi perdendo o brilho desde o começo, até sua renúncia nesta segunda-feira.
N.Esteves--PC